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Margem de segurança de Graham aplicada ao Brasil

Existem algumas formas de abordar o conceito de margem de segurança. A primeira delas se baseia na diferença entre o valor intrínseco e o preço da ação no mercado. Nas palavras do próprio Buffet, “Preço é o que você paga, valor é o que você tem”.

Benjamin Graham finaliza o livro “O Investidor Inteligente” mostrando uma perspectiva diferente deste conceito, fazendo uma comparação entre o poder de lucro da empresa e o rendimento de um investimento em títulos do governo.

Para chegarmos na margem de segurança, precisamos antes entender o conceitode poder de lucro.

Imagine uma empresa cujo valor de mercado seja R$ 1 bilhão e que tenha lucro líquido anual de R$ 125 milhões. Dividindo o lucro líquido pelo seu valor de mercado, chegamos ao conceito de poder de lucro (earning power):

Fórmula do Poder de Lucro
Poder de lucro = Lucro Líquido / Valor de Mercado
Poder de lucro = 125.000.000/1.000.000.000 = 12,5%.

Em nosso exemplo, o poder de lucro seria 12,5%. Isso significa que nossa empresa consegue lucrar R$ 12,5 para cada R$ 100 em ações (O leitor atento do nosso blog vai perceber que esse poder de lucro é o P/L invertido).

Nos Estados Unidos esse poder de lucro seria excelente, pois é muito acima de um investimento em renda fixa (bonds). Já no Brasil, o investimento em títulos do governo paga taxas superiores a 15% ao ano. Isso significa que esta empresa é menos atrativa que a renda fixa.

Olhando por esta perspectiva, não deveríamos investir em empresas que têm o poder de lucro inferior a 15%. Essa comparação entre renda fixa e poder de lucro que deu origem a este indicador.

Calculando a Margem de Segurança

Utilizando o conceito de “poder de lucro”, a nossa margem de segurança seria calculada através da taxa básica de juros.

Fórmula da Margem de Segurança de Graham
Margem de Segurança = (Poder de Lucro/SELIC) – 100% ou
Margem de Segurança = (L/P/SELIC)
* L/P é o P/L invertido e a Selic é  0,1375.

No caso, a margem será positiva se o poder de lucro for superior à SELIC.

Aplicando o conceito nas empresas brasileiras

A SELIC está atualmente em 13,75%. Por este motivo, a garimpagem por empresas utilizando esta margem de segurança é muito restritiva, pois poucas empresas tem um poder de lucro maior. Alguns investidores compram ações apenas quando elas apresentam margem superior a 40%.

Empresa
Código
P/L
L/P
Margem
Usiminas
USIM5
3,1
32%
134%
Confab
CNFB4
3,3
30%
120%
Contax
CSNA3
4,1
24%
77%
Romi
ROMI3
4,2
23%
73%
Randon
RAPT4
4,7
21%
55%
Vale
VALE5
4,8
21%
52%
Petrobras
PETR4
5,0
20%
45%
Gerdau
GGBR4
5,5
18%
32%
Eletrobrás
ELET6
6,1
16%
19%
Localiza
RENT3
6,9
14%
5%
SELIC 13,75%
Cyrela
CYRE3
7,4
13,5%
-2%
Bradesco
BBDC4
8,7
11%
-16%
Bematech
BEMA3
9,4
10%
-23%
Itausa
ITSA4
10,3
10%
-30%
Embraer
EMBR3
23,7
4%
-70%
Vivo
VIVO4
47
2%
-84%
Lojas Americ.
LAME4
59
1%
-87%
Veja o gráfico ilustrativo de Selic vs Poder de Lucro.

Conclusões e pensamentos sobre a Margem de Segurança

Achei este conceito muito interessante para mostrar que muitas empresas estão menos atrativas do que um investimento em renda fixa. É muito difícil encontrar boas companhias que tenham o poder de lucro superior à SELIC.

É fato que os lucros das empresas crescem e a tendência para o longo prazo é de uma taxa de juros mais baixa. Isso deve tornar o mercado de ações mais atrativo no futuro, quando o investimento em renda fixa se tornar menos rentável.

Para quem mantiver a estratégia de comprar apenas com uma margem de segurança fixa, a própria redução na taxa básica de juros já abre novas oportunidades de compra.

Matematicamente, esse indicador é o próprio P/L sob outro ponto de vista. A diferença é o que agora temos uma ferramenta para encontrar um valor máximo para o P/L que nos ofereça uma margem de segurança fixa.

Para uma margem de 40% e SELIC 13,75%, o P/L precisa ser inferior a 5,19x.

Encontrando P/L máximo a partir de uma margem de segurança
40% = 1/x * 1/13,75% - 100%
140% * 0,1375 = 1/x
x = 1/0,1925 = 5,19x

Entenda a recompra de ações

As ações da bolsa brasileira ficaram tão baratas que dezenas de empresas lançaram planos de recompra dos próprios papéis. Para os acionistas das empresas, essa é uma excelente notícia!

Nesses programas, as empresas costumam fixar um prazo para recomprar uma quantidade de ações no mercado. A Vale, por exemplo, aprovou um plano de recompra de aproximadamente R$ 5,6 bilhões, com prazo de 360 dias para execução.

As empresas que anunciaram tais planos provavelmente tem caixa em excesso, o que mostra uma situação financeira confortável para enfrentar a crise. Outro fator importante é que essas empresas consideram suas ações sub-precificadas (ninguém melhor do que a própria empresa para conhecer seu valor).

Portanto, podemos tirar algumas conclusões quanto as empresas que anunciaram plano de recompra:
1) Situação financeira confortável: A empresa tem caixa suficiente para encarar a crise, pois se deu ao luxo de comprar mais ações.
2) Ações sub-precificadas: O preço das ações está muito abaixo do seu valor justo.
3) Utilização do caixa: O caixa gasto para recompra não seria tão eficiente no crescimento da empresa (explicação no fim do post).

Vamos ver abaixo quais são as consequências posteriores ao processo.

Quais são as conseqüências positivas?
» Efeito positivo para as cotações, que tendem a subir (ou cair menos).
» Economia de caixa no pagamento de dividendos ou aumento do pagamento de dividendos por ação.
» Ganho financeiro, caso a empresa mantenha as ações em tesouraria e resolva vender a preços mais justos . A outra opção seria o cancelamento das ações compradas, que aumentariam o valor das ações nas mãos dos acionistas.
» Evita ameaças hostis de aquisição, pois a empresa passará a ter maior poder de voto.

Quais são as consequências negativas?
» Redução do patrimônio líquido da empresa, aumentando índice de endividamento sobre patrimônio líquido.

Selecionei abaixo as empresas que anunciaram planos de recompra de ações recentemente. O que podemos ter certeza é que todas elas consideram suas ações sub-precificadas no mercado. Mas para afirmar se a empresa realmente está saudável financeiramente, temos que analisá-las individualmente levando em consideração o endividamento em dólar, caixa disponível, índices de liquidez e capacidade de geração de caixa.

Para a Vale, o plano de recompra pode ser considerado positivo, uma vez que a empresa vai utilizar no máximo R$ 5,6 bi dos seus R$ 30 bi disponíveis. Além disso, a empresa já anunciou que tem caixa para manter seu plano de investimentos de 2009.

Já para a PDG Realty, podemos considerar desnecessário o gasto de 20% do caixa para recomprar ações. Isso porque o setor de construtoras é diretamente afetado pela falta de crédito, desaquecimento das vendas e aumento na taxa de juros.

Empresas que anunciaram planos de recompra recentemente:

Empresa
Código
Recompra R$
Caixa**
Data
Link
Vale
VALE5
5,6 bilhões
30 bilhões
16/10
Unibanco
UBBR11
400 milhões
3 bilhões
24/10
CSN
CSNA3
265 milhões
3 bilhões
04/08
Klabin
KLBN4
134 milhões
2 bilhões
15/10
Energias do BR
ENBR3
110 milhões
700 milhões
06/10
Amil
AMIL3
98 milhões
1,2 bilhão
02/10
PDG Realty
PDGR3
80 milhões
430 milhões
22/10
M Dias Branco
MDIA3
44 milhões
150 milhões
11/09
ALL Logistica
ALLL11
34 milhões
2,4 bilhões
03/10
Tempo Particip.
TEMP3
17 milhões
290 milhões
21/10
SulAmérica
SULA11
16 milhões
3,7 bilhões
07/10
JHSF
JHSF3
13 milhões
200 milhões
20/10
Cremer
CREM3
12 milhões
—-
17/10
Bematech
BEMA3
11  milhões
168 milhões
22/08
Brasil Brokers
BBRK3
9 milhões
262 milhões
17/09
Fert. Heringer
FHER3
7 milhões
253 milhões
10/10
Banco Pine
PINE4
6 milhões
15 milhões
01/10
Tegma
TGMA3
7 milhões
176 milhões
28/02
Trisul
TRIS3
6 milhões
155 milhões
17/10
Eztec
EZTC3
6 milhões
246 milhões
21/08
Sofisa
SFSA4
5 milhões
60 milhões
14/10
Mangels
MGEL4
5 milhões
270 milhões
17/10
Profarma
PFRM3
3 milhões
44 milhões
07/08
Contax
CTAX4
1 milhão
341 mi
08/09

*Valor estimado de acordo com as cotações do dia 27/10/2008.
** Item “Disponível” do balanço patrimonial de 2T08 ou 3T08 do site Fundamentus. Não é apenas caixa, mas a capacidade de geração de caixa (títulos, investimentos e outros itens realizáveis a curto prazo). Apenas no caso da CSN foi utilizado o relatório 2T08 fornecido pela própria empresa.

Reinvestir caixa ou recomprar ações?

Uma pergunta que podemos fazer é: será que se as empresas reinvestissem este dinheiro ao invés de recomprar suas ações, teriam maior retorno?

Uma idéia da resposta você pode obter no resumo do Sergio da reunião anual de 2004 da Berkshire Hathaway. Neste reunião, Warren Buffet passou a idéia de que nem toda empresa é eficaz no reinvestimento do caixa. Além disso, nem toda empresa deveria reinvestir todo o seu lucro líquido.

Isso nos remete ao indicador ROIC (retorno sobre capital investido), que nos diz o quanto a empresa é eficaz em crescer com reinvestimento de lucro. Empresas com alto ROIC deveriam utilizar o máximo de caixa possível para reinvestimento, enquanto que empresas com baixo ROIC poderiam usar parte do lucro para distribuir em forma dividendos ou recomprar ações quando estiverem sub-precificadas.

Se pensarmos em uma cenário de recessão mundial para os próximos anos, talvez faça sentido reinvestir menos dinheiro na empresa, pois o crescimento esperado de todas as economias estão sendo revistados para baixo.

Como mensurar a crise de liquidez: TED Spread

Investidores estão acompanhando a injeção de liquidez dos bancos centrais do mundo inteiro na tentativa de conter a crise. O movimento especulativo do mercado no começo da semana foi apenas um sinal de aprovação, mas não mostra uma melhora real no problema.

Para acompanhar o efeito dessas ações nos próximos meses, podemos usar um indicador do chamado TED Spread. Ele é a diferença entre as taxa de empréstimo interbancário (LIBOR) e taxas de juros do Tesouro dos Estados Unidos, ambos para um contrato de 90 dias.

Fórmula para cálculo:
TED Spread = LIBOR - US Bonds*
* ambos de 3 meses

A taxa do tesouro é considerada risco-zero, local para onde fogem os investidores em momentos de risco. Já a taxa LIBOR é de maior risco, pois um empréstimo de 3 meses entre bancos pode parecer uma eternidade no cenário atual.

Interpretando o TED SPREAD

Quanto maior o seu valor, maior o problema de liquidez, pois significa que o empréstimo entre bancos está muito arriscado e caro.

Em tempos normais, este indicador costuma oscilar entre 0,3% e 0,8%. O maior pico histórico aconteceu na crise de 1987 no dia conhecido como Black Monday, dia no qual o índice Dow Jones caiu 22,6% e o TED Spread  ultrapassou os 3%.

Agora estamos em um novo pico histórico do TED Spread, que chegou a bater 4,63% no último dia 10. Esse indicador mostra uma situação muito pior do que na crise de 1987, quando o mercado demorou mais de 2 anos para se recuperar das perdas.


TED Spread atingiu o maior nível histórico esta semana

As conclusões que podemos tomar do gráfico acima é que estamos na pior semana da crise em termos de liquidez interbancária e os efeitos dos pacotes ainda não apareceram. Saberemos que a confiança do mercado estará normalizada quando o indicador voltar aos patamares anteriores.

Mais sobre TED Spread

Jovens, vamos comemorar a crise!

Jovem leitor, deveríamos comemorar este momento! Não existe melhor período para uma crise do que no começo de nossas vidas de investidor. Temos muito tempo para transformar esses prejuízos temporários em lucros enormes, ainda mais se soubermos aproveitar as promoções do mercado para comprar empresas subvalorizadas nos próximos meses.

Vejo pessoas contaminadas pelas notícias do mercado, perdendo o sono e ficando desesperadas. No fim, acabam esquecendo do óbvio: crises são as melhores oportunidades de compra.

Não sou o único a comemorar a crise, muitos investidores esperaram pacientemente por este momento. Aquele que não separou uma reserva para investir na crise, deve estar sofrendo. Pior é quem investiu dinheiro que vai precisar no curto prazo e terá que realizar esse enorme prejuízo.

Na lama estão os americanos….

Eles já perderam muito dinheiro com imóveis, ações e agora não adianta nem investir em renda fixa. Antes da crise os bonds americanos pagavam cerca de 5% ao ano. Com o corte dos juros para 1,5%, este investimento não servirá nem para proteger da inflação.

Note que existe uma grande diferença entre empresas americanas e brasileiras. Lá, a desvalorização das ações é menor, mas fundamentada. O preço das ações cai à medida que o valor das empresas degrada.

No Brasil as empresas continuam sólidas, apresentando resultados recordes e aumentando o seu valor. Em ambos os casos, os preços das ações desabaram. A diferença é que no Brasil o valor das empresas continua crescendo. Isso significa que hoje podemos comprar empresas que continuam com o mesmo valor (ou até maior), mas têm descontos de 50% no preço, as vezes até 85%.

Cenário positivo para investimentos em renda fixa

O cenário atual está excelente até para renda fixa! Talvez os próximos anos sejam os últimos nos quais teremos taxas tão atraentes para aplicar em títulos do governo, que estão pagando 15% no pré-fixado e 9% + IPCA na série NTN-B. Nenhum outro país paga essas taxas em um investimento considerado de “risco zero”.

As perspectivas para o médio prazo ainda são de elevação da taxa básica de juros e para longo prazo, a continuidade da redução. Caso essa expectativa do mercado seja verdadeira, os melhores investimentos para médio prazo seriam os títulos pós-fixados e o para longo prazo, os pré-fixados.

Mercado de ações em oferta

São tantas as oportunidades no mercado que fica até difícil escolher o que comprar nos próximos meses. De acordo com o Credit Suisse, a projeção do múltiplo P/L das empresas brasileiras deve ficar em 7,3x, o que é 34% abaixo da média histórica.

Caso esteja garimpando ações, vale a pena analisar as empresas que realizaram abertura de capital nos últimos anos, pois a maior parte dos acionistas eram estrangeiros que resgataram o dinheiro agora e derrubaram as cotações em mais de 65% (mas fique longe de construtoras e bancos pequenos).

Para o investidor inteligente, o que importa?

O tempo que a crise vai durar e o fundo do poço para Ibovespa são fatos irrelevante, pois ninguém consegue prever. Pagar 3x mais barato por uma empresa que continua com o mesmo valor, isso sim é importante! Como disse o jornalista Carlos Alberto Sardenberg: “toda crise é passageira”!

Mauro Halfeld falou hoje na CBN que a melhor estratégia é comprar ações lentamente, um pouco por semana, diversificando. “Para quem não tem pressa, comprar em conta gotas será um dos melhores negócios de nossas vidas“.

Agora chega de chorar pelas perdas! É hora de organizar sua estratégia de investimento para saber como aproveitar a crise. Ações e tesouro direto nunca estiveram tão atrativos desde que comecei a investir. Infelizmente não vivi as boas épocas em que a renda fixa pagava mais de 20% ao ano, mas estou feliz em aproveitar esta oportunidade!

“Toda crise é passageira” - Dow Jones de 1970-2008

Empresas para investir na crise

A forte volatilidade dos mercados está deixando muitos investidores enjoados. O sobe e desce da bolsa deve continuar nos próximos meses, principalmente pela incerteza das medidas emergenciais do governo americano para conter os efeitos da crise. Pode demorar muitos meses para o capital estrangeiro voltar e elevar o preço das ações a patamares mais justos.

A queda no preço das ações abriu grandes oportunidades de compra em todos os setores. Apesar disso, os investidores estão mais cautelosos em suas escolhas. Pensando neste cenário, resolvi selecionar algumas empresas que devem sofrer menos com a crise e a possível desaceleração do crescimento asiático.

Entre os critérios que utilizei para esta seleção estão:
- empresas voltadas principalmente para o mercado interno;
- com receita previsível;
- que não utilizam matéria-prima importada;
- que não são relacionadas a commodities metálicas (que sofrerão reajustes no próximo ano);
- boas pagadoras de dividendos;
- pouco especulativas (e pouco negociada por estrangeiros);

Nem todas as empresas respeitam todos os filtros acima. As empresas abaixo estão longe de formar uma carteira, são apenas sugestões para uma análise mais aprofundada.

CCR Rodovias (CCRO3)

Setor
Concessão de Rodovias
Preço Atual
R$ 25,00
Valor de Mercado
R$ 10 bi
P/L
16,25x
P/VPA
5,85x
ROE %
36%
Crescimento Médio 5a
17,2%
Download Relatórios

Pontos positivos:
» Aquecimento no setor automotivo brasileiro, mesmo com crédito apertado;
» Internacionalização da CCR na concessão norte-americana Northwest Parkway, mostrando diversificação regional;
» Crescimento de 7,5% no tráfego de veículos em 2008;
» Ganhos de sinergia com a concessão do Rodoanel, por interligar rodovias da própria CCR.

Pontos negativos:
» Preço do petróleo em alta pode impactar negativamente o fluxo de veículos;
» Aumento na SELIC no médio prazo pode desfavorever venda de automóveis a prazo;
» Imprevistos de regulamentação do setor de concessões.

AB Note (ABNB3)

Setor
Consumo /Cartões
Preço Atual
R$ 14,90
Valor de Mercado
R$ 767 mi
P/L
11,01x
P/VPA
2,30x
ROE %
20,9%
Cresc. Médio 5a
26,1%
Download Relatórios

Pontos positivos:
» Líder no segmento de cartões magnéticos, sistemas de identificação (impressão digital, RFID) e serviços gráficos.
» Novo contrato com Banco do Brasil e governo (CNH e identidade);
» Múltiplos atrativos (P/L e P/VPA);
» EBTIDA recorde em 2T08;
» Substituição de cartões magnéticos para cartões com chip;
» Receita relacionada com o mercado interno.

Pontos negativos:
» Grandes clientes concentram boa parte da receita da empresa, criando grande dependência;
» IPO recente: concentração de ações nas mãos de estrangeiros.

Eletrobrás (ELET3)

Setor
Energia Elétrica
Preço Atual
R$ 28,30
Valor de Mercado
R$ 32 bi
P/L
13,08x
P/VPA
0,39x
ROE %
3,0%
Cresc. Médio 5a
10,5%
Download Relatórios

Pontos positivos:
» Lançamento dos ADRs nível 2 (negociadas em NY);
» Líder no setor de energia;
» Receita previsível, com quase todo potencial de energia contratado;
» Pagamento de dividendos nas ações ordinárias (acima de R$ 9 por ação).

Pontos negativos:
» Riscos políticos, por se tratar de uma estatal;
» Risco de apagão elétrico.

Aços Villares (AVIL 3)

Setor
Siderurgia e Metalurgia
Valor de Mercado
R$ 3 bi
Preço Atual
R$ 0,90
P/L
7,85x
P/VPA
3,16x
ROE
40,3%
Cresc. Médio 5a
5,3%
Download Relatórios

Pontos positivos:
» Bom momento da indústria automobilística nacional;
» Recentemente Gerdau comprou 28,88% do capital da empresa por R$ 1,30, muito acima do patamar atual;
» Possibilidade de OPA (fechamento de capital), já que apenas 12% das ações estão no mercado (free-float);
» Quase 80% do volume de vendas está relacionada ao mercado interno, reduzindo os resultados negativos do desaquecimento externo;
» Pouco especulativa e com baixa liquidez: baixa volatilidade na crise.

Pontos negativos:
» Desaquecimento da produção mundial de aços causaria menor demanda de laminadores. Mas vale ressaltar que China e Índia estão na fase inicial de crescimento, que tem como característica o maior consumo de ferro, e não aço;
» Desaceleração da economia americana, européia e asiática;
» Aumento na taxa básica de juros no médio prazo poderia desacelerar o crescimento nas vendas de carros;
» Volatilidade no preço das commodities metálicas.

AES Tietê (GETI4)

Setor
Energia Elétrica
Preço Atual
R$ 15,40
Valor de Mercado
R$ 5,8 bi
P/L
9,57
P/VPA
9,24
ROE
96,6%
Cresc. Médio 5a
13,9%
Download Relatórios

Pontos positivos:
» 100% da energia contratada pela Eletropaulo até 2015;
» Geração de caixa estável e previsível;
» Dividend Yield acima de 10%.

Pontos negativos:
» Burocracia em licenças ambientais para obra Jirau pode atrasar cronograma;
» Risco de apagão elétrico.

Lembre-se que as crises abrem grandes oportunidades de compra. O investidor em valor (value investor) está dormindo tranquilo, pagando muito barato por boas empresas.

Repetindo a citação do Warren Buffet: “Preço é o que você paga, valor é o que você tem”. O valor das ações continuam nos mesmos patamares, os preços que desabaram!

Bate-papo com Gustavo Cerbasi no Expo Money

Tivemos a oportunidade de bater um papo informal no café do Expo Money com o autor de vários best-sellers sobre finanças pessoais, Gustavo Cerbasi.

Diferente da maioria dos jovens, ele teve a vantagem de começar a investir após ter estudado finanças e economia na graduação em administração pela FGV e mestrado na FEA.

Ao ser questionado sobre os principais erros antes de atingir seu primeiro milhão, respondeu que teve a felicidade de cometer poucos e os utilizou como aprendizado.

Apesar da disciplina, não conseguiu fugir da tentação de comprar uma empresa no que ele apelidou de “alta festiva” em 2006, período no qual os preços das ações estavam caros pelo otimismo exagerado do mercado, indicando um momento de saída e não entrada.

Garimpagem de ações
Em sua garimpagem pelas melhores empresas para investir, Gustavo costuma comprar empresas com indicador P/L abaixo de 10 e considera importante o dividend yield.

Diversificação
Gustavo acredita que a não diversificação em uma carteira é um erro e deveria ser feita apenas por gestores que conhecem profundamente a empresa a ponto de “poder almoçar com o presidente da empresa”. O mega-investidor Warren Buffet é um exemplo desse tipo de gestão.

Investidor Jovem no Expo Money 2008

Lançaremos a parceria com o homebroker Link Trade na maior etapa do Expo Money, que acontece em São Paulo entre os dias 17 e 19 deste mês.

Estaremos no estande da Link Trade expondo nosso blog e você poderá bater um papo conosco (Bruno Yoshimura e Allan Panossian) durante todo o evento. Além disso, vamos cobrir algumas palestras pelo Twitter e tirar fotos para serem publicadas aqui no blog.

Sobre o evento

São esperados 20 mil investidores nos três dias para assistirem às 180 palestras que abrangerão todos os níveis de conhecimento. Os temas vão desde dicas de como controlar as finanças pessoais até análise fundamentalista de empresas.

Expo Money é a nossa cara!

O perfil traçado nas inscrições deste ano mostra que o público é formado principalmente por jovens de até 34 anos, sem dependentes. Além disso, a maioria dos visitantes (54,72%) já utiliza alguma corretora de valores para compra de ações ou tesouro direto.

Faixa etária dos visitantes
Até 25 anos
25%
Entre 26 e 34
38%
Acima de 35 anos
37%

Obviamente esses números não correspondem à realidade, já que o perfil do investidor brasileiro é um adulto que investe em poupança, renda fixa e previdência. Isso é uma demonstração do amadurecimento da educação financeira no Brasil, já que a maior parte dos investidores interessados nesse aprendizado é jovem!

Cobertura do Expo Money em tempo real pelo Twitter

Iremos cobrir o evento em tempo real pelo Twitter (http://twitter.com/investidorjovem) . Dêem follow em nosso perfil para acompanhar todos os acontecimentos importantes do evento.

Quanto custa manter um carro?

Comprar o primeiro carro é o sonho de consumo de todo jovem. Com o alongamento do prazo de financiamento e redução na taxa básica de juros, muitos conseguiram realizá-lo.

Apesar do blog falar sobre jovens e investimentos, resolvi escrever este post depois de descobrir que meu carro é o maior devorador de orçamento mensal que tenho, considerando que ainda moro com meus pais e estudo em faculdade pública.

O primeiro passo de qualquer investidor, é saber poupar. Neste sentido, vale a pena descobrir para onde está indo o dinheiro que deveria ser investido.

Os cálculos que vou fazer são da estimativa das despesas de um Gol City 1.0 Totalflex (anterior ao novo Gol), incluindo gastos anuais com seguro, IPVA, depreciação, combustível, manutenção, estacionamento e até custo de oportunidade (que iremos explicar posteriormente).

Modelo do carro: Gol City 1.0 Totalflex
Valor do carro zero:
R$ 27.676,00 (?)

Gastos fixos (R$ 3.968,00)
  • IPVA 4% (?) - R$ 1.383,80/ano
  • Seguro obrigatório (?) R$ 85,00/ano
  • Seguro R$ 2.500,00/ano (perfil jovem)
Despesas (R$ 3.043,91)
  • Depreciação (5% ao ano - estimativa pelo site da FIPE) R$ 1.383,35/ano
  • Custo de oportunidade= R$ 1.660,56/ano

    (investir o dinheiro, ao invés de comprar o carro: poupança rendendo 6%)

Gastos Variáveis (R$ 2.528,00)
  • Manutenção e peças (pneus, filtro de óleo e ar, pastilhas, fluídos) - R$ 750/ano
  • Troca de pneus a cada 2 anos = R$ 1.000,00 = R$ 500/ano
  • Estacionamento - R$ 150,00
  • Combustível - R$ 1.128,00/ano

    (8km/l | R$ 1,25/l | 600km/mês)

Total: R$ 9.539,91/ano

O valor parece absurdo, mas é real. Muitos se iludem com os baixos valores mensais de financiamentos e esquecem que pagar o carro é apenas o primeiro desafio.

Como conseqüência, podemos ver o aumento na quantidade de carros vendidos com baixa quilometragem, já que muitos não conseguem arcar com as despesas mensais e financiamento do veículo.

Antes de comprar seu primeiro carro, faça as contas e veja se vale a pena. É assim que um investidor jovem deve pensar.

* Por mais assustador que pareçam esses valores, fui conservador. No meu caso, gasto mais que o dobro de gasolina, estacionamento e manutenção. Também desconsiderei que jovens tomam multas e batem o carro com mais frequência. Outro fator que ignorei é o custo de oportunidade da vaga do prédio que utilizo, já que poderia ganhar dinheiro alugando a vaga.

Crédito da foto: andrew_mrt1976’s

Encontrando as pechinchas do mercado: Value investing

Como já dizia o grande investidor Warren Buffet, “Preço é o que você paga, valor é o que você tem”.

Pense nessa frase e imagine que você possa comprar uma nota que vale R$ 1,00 por apenas R$ 0,60. Essa “metáfora” é utilizada freqüentemente para ilustrar o investimento em valor (value investing).

No mercado de ações, boa parte das empresas está com seu valor de mercado inferior ao valor intrínseco (“valor real” da empresa). Isso significa que você pode comprar boas empresas com grandes descontos.

Pela análise do Banco Safra divulgada hoje, poderíamos comprar ações da Usiminas hoje por R$ 62,95 (preço) quando na realidade elas valem R$ 103,50 (valor). Isso representa um desconto de 40%. O potencial de valorização pode ser melhorado ainda mais se pensarmos nas perspectivas de crescimento da empresa. Mas para este post, é o suficiente considerar que estamos pagando barato.

Com esse pensamento, é fácil entender o motivo pelo qual os investidores em valor dormem tranqüilo. Eles sabem que fizeram um bom negócio e não se preocupam com as crises, pois as utilizam como oportunidades de compras.

Não é apenas no mercado de ações que isso acontece. Revendedores de carros costumam pagar menos que o valor intrínseco do carro para conseguir uma margem de lucro maior. Pense agora no mercado imobiliário americano. O movimento de queda do mercado pela crise subprime está criando boas oportunidades para buscar desse desconto do valor intrínseco.

Como descobrir o valor intrínseco?

O valor intrínseco é encontrado através da análise fundamentalista com análise dos lucros, patrimônio líquido, fluxo de caixa descontado, perspectivas dos setores, entre outros fatores. A metodologia depende do modelo de valuation utilizado.

Para a maioria das pessoas, é suficiente acompanhar os relatórios e stock guides divulgados por grandes bancos e traçar uma média de valor intrínseco apenas para ter uma idéia da ordem de grandeza do “desconto” que estamos procurando.

Stock Guides abertos na internet:

» Banco Safra
» Elite Corretora

Como utilizar o investimento em valor para caçar pechinchas do mercado?

Como sempre dizemos, utilizar apenas um indicador é desaconselhável. Um bom desconto no preço de uma empresa pode embutir algum perigo judiciário ou má fase da empresa.
Não acredite sempre nos stock guides dos bancos. Nem sempre eles estão atualizados com o valor intrínseco justo e normalmente são ajustados trimestralmente e podem ficar defasados.

Recomendo a utilização desse indicador de “desconto” (100% - valor de mercado/valor intrínseco) apenas como um “filtro”. Uma utilização interessante seria restringir suas compras em papéis com descontos superiores a 40%, para minimizar os riscos. Nos próximos meses o mercado deve continuar em liquidação!

Compre barato e durma tranqüilo!

Pechincas do mercado de acordo com Stock Guide do Safra:
(lembre-se que um bom desconto nem sempre indica boa compra)

Empresa
Preço*
Valor*
Desconto*
Upside*
Petrobrás
R$ 35,16
R$ 55,13
36%
57%
Gerdau
R$ 31,50
R$ 48,32
35%
53%
Usiminas
R$ 64,25
R$ 103,50
38%
61%
Duratex
R$ 27,48
R$ 61,21
55%
123%
Ambev
R$ 89,50
R$ 166,50
46%
86%
1) Preço: Cotação em 29/07/2008
2) Valor: Stock Guide do Safra de 28/jul/2008
3) Desconto: (1 - Preço/Valor)
4) Upside: (Valor/Preço - 1)

Principais erros dos iniciantes da bolsa

Este post descreve alguns dos principais erros cometidos por iniciantes na bolsa. Para quem já sabe o que está fazendo, alguns dos itens podem não parecer um “erro”, mas sim uma estratégia de investimento.

1) Concentrar compras em um período curto de tempo

É muito comum ver iniciantes investindo grande reserva de dinheiro de uma vez só. Mas o mercado é imprevisível, não sabemos se estamos comprando antes de um período de grande queda.

Por esta razão, é interessante fazer compras em períodos espaçados para conseguir um preço médio justo. Boas oportunidades de compra surgem para aqueles que sabem aguardá-las.

2) Investir dinheiro que vai precisar no curto prazo

O movimento do mercado é imprevisível e irracional no curto prazo. Investir dinheiro comprometido, mesmo em uma excelente empresa sub-precificada, é uma péssima idéia. O mercado só passa a ser racional no longo prazo.

Muitos investem reservas financeiras em especulações de curto prazo e acabam vendendo as ações na baixa, exatamente quando precisam do dinheiro.

Para quem precisa do dinheiro no curto prazo, vale a pena investir em títulos públicos ou fundos de renda fixa. Caso opte pela primeira opção, procure casar o vencimento do título com a data em que vai precisar do dinheiro (se precisar do dinheiro em 1 ano, compre um título que vença em um ano).

3) Seguir carteiras mensais sugeridas por bancos

Bancos e corretoras costumam montar uma carteira concentradas com até 10 ativos e atualizam mensalmente. A idéia parece interessante, mas acaba sendo uma sacanagem com os investidores.

O grande problema é que o dinheiro gasto com corretagem e imposto de renda acabam corroendo o lucro (isso quando ele existe). Movimentar mensalmente a carteira dá muito trabalho, pois você pode acabar perdendo o incentivo de isenção de IR e precisa fazer cálculos mensais.

Nessa condição, o investidor acaba conseguindo rendimentos bem inferiores ao próprio Ibovespa. Quem fica rico, no final, são os bancos.

4) Comprar na alta e vender na baixa

Pode parecer óbvio que ninguém vai comprar na alta e vender na baixa. Mas quem segue a euforia o mercado, tem grandes chances de fazer isso.
Comprar quando todos estão comprando e vender no desespero quando todos estão vendendo, é seguir o mercado. E ao fazer isso, você pode perder muito dinheiro.

Buffet e outros grandes investidores ensinam que precisamos fazer o contrário. Comprar quando todos estão vendendo, e vender quando todos estão comprando (ou seja, comprar na baixa e vender na alta). Obviamente que as ações compradas precisam ser de empresas que se encaixam em sua estratégia.

5) Ficar 100% comprado em ações, sem reserva

Para investidores de longuíssimo prazo (20, 30 anos) pode até fazer sentido um posicionamento total em ações. Mas isso nunca deve ser feito.

O motivo é simples: Historicamente, o mercado sempre apresenta grandes quedas. Essas quedas são excelentes oportunidades de compra para quem possui reserva. Entre as últimas quedas estão:

  1. Nov/1998: Crise da Rússia;
  2. Dez/2000: Bolha da internet;
  3. Jan/2008: Sub-prime e recessão norte-americana.

Na bolha da internet, o índice Dow Jones caiu pela metade e o Nasdaq caiu para 1/3 de seu valor. Uma excelente oportunidade de compra para quem possuía reservas!

Graham propõe em sua obra The Intelligent Investor uma exposição entre 25% e 75% em ações e o restante em títulos. Quando mais precificado (“caro”) o mercado fica, menor a exposição em ações.

Nessa situação, sempre teremos uma reserva para comprar ações sub-precificadas após grandes quedas de mercado.

6) Misturar dinheiro especulativo com investimentos de longo prazo

É difícil ficar longe das especulações do dia-a-dia. O que não podemos fazer é confundir o dinheiro de longo prazo com o especulativo. Investimentos de curto prazo precisam ter objetivos bem definidos (tanto de lucros quanto de prejuízos).

Pessoas que não limitam a perda em especulação de curto prazo acabam deixando aquele prejuízo como um investimento de longo prazo. O problema é que na especulação, a empresa geralmente não é analisada em seus fundamentos e esse “investimento” desfundamentado acaba virando um pesadelo.

7) Seguir recomendações de blogs, fóruns e amigos

Suspeite de qualquer dica quente ou recomendação, mesmo que do seu melhor amigo. Afinal, quem vai amargurar o prejuízo é você. Mesmo aquelas “dicas quentes” que circulam nos bastidores do mercado financeiro podem ser perigosas, pois você pode ser o último e receber tal dica.

Isso é válido também para bancos, que às vezes recomendam empresas que nunca comprariam na mesma situação. Veja o caso Henry Blodget que recomendava, em nome do Merril Lynch, a compra de empresas que sabia ser um lixo.

O que eu considero muito perigoso são as recomendações que circulam na internet, fóruns e comunidades. Todos os dias eu vejo pessoas recomendando compra “micos” para iniciantes, que mal sabem que essas empresas não valem nada (a maioria delas está com patrimônio líquido negativo, ou seja, falida). Alguns exemplos: TELB4, TOYB4, WISA4, GAZO4, ESTR4, HOOT4.

Minha recomendação para quem está começando?

Leia muito! Relatórios, textos sobre grandes investidores, livros sobre análise fundamentalista, relatórios anuais das empresas. Em breve lançaremos a parte do blog com links para sites interessantes.

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