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Margem de segurança de Graham aplicada ao Brasil

Existem algumas formas de abordar o conceito de margem de segurança. A primeira delas se baseia na diferença entre o valor intrínseco e o preço da ação no mercado. Nas palavras do próprio Buffet, “Preço é o que você paga, valor é o que você tem”.

Benjamin Graham finaliza o livro “O Investidor Inteligente” mostrando uma perspectiva diferente deste conceito, fazendo uma comparação entre o poder de lucro da empresa e o rendimento de um investimento em títulos do governo.

Para chegarmos na margem de segurança, precisamos antes entender o conceitode poder de lucro.

Imagine uma empresa cujo valor de mercado seja R$ 1 bilhão e que tenha lucro líquido anual de R$ 125 milhões. Dividindo o lucro líquido pelo seu valor de mercado, chegamos ao conceito de poder de lucro (earning power):

Fórmula do Poder de Lucro
Poder de lucro = Lucro Líquido / Valor de Mercado
Poder de lucro = 125.000.000/1.000.000.000 = 12,5%.

Em nosso exemplo, o poder de lucro seria 12,5%. Isso significa que nossa empresa consegue lucrar R$ 12,5 para cada R$ 100 em ações (O leitor atento do nosso blog vai perceber que esse poder de lucro é o P/L invertido).

Nos Estados Unidos esse poder de lucro seria excelente, pois é muito acima de um investimento em renda fixa (bonds). Já no Brasil, o investimento em títulos do governo paga taxas superiores a 15% ao ano. Isso significa que esta empresa é menos atrativa que a renda fixa.

Olhando por esta perspectiva, não deveríamos investir em empresas que têm o poder de lucro inferior a 15%. Essa comparação entre renda fixa e poder de lucro que deu origem a este indicador.

Calculando a Margem de Segurança

Utilizando o conceito de “poder de lucro”, a nossa margem de segurança seria calculada através da taxa básica de juros.

Fórmula da Margem de Segurança de Graham
Margem de Segurança = (Poder de Lucro/SELIC) – 100% ou
Margem de Segurança = (L/P/SELIC)
* L/P é o P/L invertido e a Selic é  0,1375.

No caso, a margem será positiva se o poder de lucro for superior à SELIC.

Aplicando o conceito nas empresas brasileiras

A SELIC está atualmente em 13,75%. Por este motivo, a garimpagem por empresas utilizando esta margem de segurança é muito restritiva, pois poucas empresas tem um poder de lucro maior. Alguns investidores compram ações apenas quando elas apresentam margem superior a 40%.

Empresa
Código
P/L
L/P
Margem
Usiminas
USIM5
3,1
32%
134%
Confab
CNFB4
3,3
30%
120%
Contax
CSNA3
4,1
24%
77%
Romi
ROMI3
4,2
23%
73%
Randon
RAPT4
4,7
21%
55%
Vale
VALE5
4,8
21%
52%
Petrobras
PETR4
5,0
20%
45%
Gerdau
GGBR4
5,5
18%
32%
Eletrobrás
ELET6
6,1
16%
19%
Localiza
RENT3
6,9
14%
5%
SELIC 13,75%
Cyrela
CYRE3
7,4
13,5%
-2%
Bradesco
BBDC4
8,7
11%
-16%
Bematech
BEMA3
9,4
10%
-23%
Itausa
ITSA4
10,3
10%
-30%
Embraer
EMBR3
23,7
4%
-70%
Vivo
VIVO4
47
2%
-84%
Lojas Americ.
LAME4
59
1%
-87%
Veja o gráfico ilustrativo de Selic vs Poder de Lucro.

Conclusões e pensamentos sobre a Margem de Segurança

Achei este conceito muito interessante para mostrar que muitas empresas estão menos atrativas do que um investimento em renda fixa. É muito difícil encontrar boas companhias que tenham o poder de lucro superior à SELIC.

É fato que os lucros das empresas crescem e a tendência para o longo prazo é de uma taxa de juros mais baixa. Isso deve tornar o mercado de ações mais atrativo no futuro, quando o investimento em renda fixa se tornar menos rentável.

Para quem mantiver a estratégia de comprar apenas com uma margem de segurança fixa, a própria redução na taxa básica de juros já abre novas oportunidades de compra.

Matematicamente, esse indicador é o próprio P/L sob outro ponto de vista. A diferença é o que agora temos uma ferramenta para encontrar um valor máximo para o P/L que nos ofereça uma margem de segurança fixa.

Para uma margem de 40% e SELIC 13,75%, o P/L precisa ser inferior a 5,19x.

Encontrando P/L máximo a partir de uma margem de segurança
40% = 1/x * 1/13,75% - 100%
140% * 0,1375 = 1/x
x = 1/0,1925 = 5,19x

PIBB11 uma alternativa para diversificar

O PIBB11 é um fundo de investimentos com cara de ação. Ele pode ser comprado na BOVESPA através do seu Home Broker da mesma maneira que você compra uma ação normal.

Esse “papel’ é uma ótima alternativa de diversificação pois esse fundo é representado pelo IBrX-50, um indicador que simula uma carteira com 50 empresas altamente líquidas e ponderadas pelo seu valor de mercado.

Qual a vantagem do PIBB11 para um fundo de ações normal?

O PIBB11 tem uma taxa de administração super baixa, algo em torno de 0.059% do patrimônio ao ano. Já um fundo de ação em um banco normal tem, em média, 4% de taxa.

Outra vantagem é a facilidade de negociação. Para quem já opera em uma corretora, o processo é o mesmo, sem burocracia e complicação.

Ela distribui dividendos?

Não, todos os dividendos são reinvestidos no fundo de modo a não alterar o percentual de cada empresa.

E o imposto de renda?

Por se tratar de um fundo, o PIBB11 segue as mesmas regras de imposto de renda de um fundo normal. Ele não possui a isenção que uma ação tem (a de R$20 mil reais vendidos em um mês)

Entenda a recompra de ações

As ações da bolsa brasileira ficaram tão baratas que dezenas de empresas lançaram planos de recompra dos próprios papéis. Para os acionistas das empresas, essa é uma excelente notícia!

Nesses programas, as empresas costumam fixar um prazo para recomprar uma quantidade de ações no mercado. A Vale, por exemplo, aprovou um plano de recompra de aproximadamente R$ 5,6 bilhões, com prazo de 360 dias para execução.

As empresas que anunciaram tais planos provavelmente tem caixa em excesso, o que mostra uma situação financeira confortável para enfrentar a crise. Outro fator importante é que essas empresas consideram suas ações sub-precificadas (ninguém melhor do que a própria empresa para conhecer seu valor).

Portanto, podemos tirar algumas conclusões quanto as empresas que anunciaram plano de recompra:
1) Situação financeira confortável: A empresa tem caixa suficiente para encarar a crise, pois se deu ao luxo de comprar mais ações.
2) Ações sub-precificadas: O preço das ações está muito abaixo do seu valor justo.
3) Utilização do caixa: O caixa gasto para recompra não seria tão eficiente no crescimento da empresa (explicação no fim do post).

Vamos ver abaixo quais são as consequências posteriores ao processo.

Quais são as conseqüências positivas?
» Efeito positivo para as cotações, que tendem a subir (ou cair menos).
» Economia de caixa no pagamento de dividendos ou aumento do pagamento de dividendos por ação.
» Ganho financeiro, caso a empresa mantenha as ações em tesouraria e resolva vender a preços mais justos . A outra opção seria o cancelamento das ações compradas, que aumentariam o valor das ações nas mãos dos acionistas.
» Evita ameaças hostis de aquisição, pois a empresa passará a ter maior poder de voto.

Quais são as consequências negativas?
» Redução do patrimônio líquido da empresa, aumentando índice de endividamento sobre patrimônio líquido.

Selecionei abaixo as empresas que anunciaram planos de recompra de ações recentemente. O que podemos ter certeza é que todas elas consideram suas ações sub-precificadas no mercado. Mas para afirmar se a empresa realmente está saudável financeiramente, temos que analisá-las individualmente levando em consideração o endividamento em dólar, caixa disponível, índices de liquidez e capacidade de geração de caixa.

Para a Vale, o plano de recompra pode ser considerado positivo, uma vez que a empresa vai utilizar no máximo R$ 5,6 bi dos seus R$ 30 bi disponíveis. Além disso, a empresa já anunciou que tem caixa para manter seu plano de investimentos de 2009.

Já para a PDG Realty, podemos considerar desnecessário o gasto de 20% do caixa para recomprar ações. Isso porque o setor de construtoras é diretamente afetado pela falta de crédito, desaquecimento das vendas e aumento na taxa de juros.

Empresas que anunciaram planos de recompra recentemente:

Empresa
Código
Recompra R$
Caixa**
Data
Link
Vale
VALE5
5,6 bilhões
30 bilhões
16/10
Unibanco
UBBR11
400 milhões
3 bilhões
24/10
CSN
CSNA3
265 milhões
3 bilhões
04/08
Klabin
KLBN4
134 milhões
2 bilhões
15/10
Energias do BR
ENBR3
110 milhões
700 milhões
06/10
Amil
AMIL3
98 milhões
1,2 bilhão
02/10
PDG Realty
PDGR3
80 milhões
430 milhões
22/10
M Dias Branco
MDIA3
44 milhões
150 milhões
11/09
ALL Logistica
ALLL11
34 milhões
2,4 bilhões
03/10
Tempo Particip.
TEMP3
17 milhões
290 milhões
21/10
SulAmérica
SULA11
16 milhões
3,7 bilhões
07/10
JHSF
JHSF3
13 milhões
200 milhões
20/10
Cremer
CREM3
12 milhões
—-
17/10
Bematech
BEMA3
11  milhões
168 milhões
22/08
Brasil Brokers
BBRK3
9 milhões
262 milhões
17/09
Fert. Heringer
FHER3
7 milhões
253 milhões
10/10
Banco Pine
PINE4
6 milhões
15 milhões
01/10
Tegma
TGMA3
7 milhões
176 milhões
28/02
Trisul
TRIS3
6 milhões
155 milhões
17/10
Eztec
EZTC3
6 milhões
246 milhões
21/08
Sofisa
SFSA4
5 milhões
60 milhões
14/10
Mangels
MGEL4
5 milhões
270 milhões
17/10
Profarma
PFRM3
3 milhões
44 milhões
07/08
Contax
CTAX4
1 milhão
341 mi
08/09

*Valor estimado de acordo com as cotações do dia 27/10/2008.
** Item “Disponível” do balanço patrimonial de 2T08 ou 3T08 do site Fundamentus. Não é apenas caixa, mas a capacidade de geração de caixa (títulos, investimentos e outros itens realizáveis a curto prazo). Apenas no caso da CSN foi utilizado o relatório 2T08 fornecido pela própria empresa.

Reinvestir caixa ou recomprar ações?

Uma pergunta que podemos fazer é: será que se as empresas reinvestissem este dinheiro ao invés de recomprar suas ações, teriam maior retorno?

Uma idéia da resposta você pode obter no resumo do Sergio da reunião anual de 2004 da Berkshire Hathaway. Neste reunião, Warren Buffet passou a idéia de que nem toda empresa é eficaz no reinvestimento do caixa. Além disso, nem toda empresa deveria reinvestir todo o seu lucro líquido.

Isso nos remete ao indicador ROIC (retorno sobre capital investido), que nos diz o quanto a empresa é eficaz em crescer com reinvestimento de lucro. Empresas com alto ROIC deveriam utilizar o máximo de caixa possível para reinvestimento, enquanto que empresas com baixo ROIC poderiam usar parte do lucro para distribuir em forma dividendos ou recomprar ações quando estiverem sub-precificadas.

Se pensarmos em uma cenário de recessão mundial para os próximos anos, talvez faça sentido reinvestir menos dinheiro na empresa, pois o crescimento esperado de todas as economias estão sendo revistados para baixo.

Diversificar ou não diversificar, eis a questão

Diversifique!Um assunto que é muito discutido entre os investidores é a diversificação de sua carteira. Nesse post quero tratar especificamente da diversificação em ações.

Warren Buffet, o maior investidor do mundo, tem como uma de suas estratégias a não diversificação. Ele diz que você precisa conhecer a fundo as empresas que investe, e ao manter uma carteira com muitas empresas, você é incapaz de realmente acompanhá-las e seguir seus passos.

Uma escola de investimento criada por banqueiros suíços, criou uma lista de regras para investir conhecida como os “Axiomas de Zurique”. Um desses axiomas diz que a diversificação de investimentos só ameniza o lucro. Ao espalhar seus recursos em vários papéis, o investidor acaba também diversificando seus ganhos.

Eu, como um investidor de pequeno porte, prefiro não seguir esses ensinamentos. Acho extremamente difícil para um investidor pequeno conhecer a fundo as empresas que investe. Você consegue analisar balanços, mercados, concorrências, etc, porém superficialmente. Investidores como Warren Buffet têm tantas fontes de informações e são tão influentes no mercado que se quiserem, conseguem marcar um almoço com o presidente da empresa para perguntar como o negócio está o indo. Nós, investidores comuns, conseguimos apenas absorver o que a mídia e os RIs divulgam.

É por esse motivo que eu acredito que um pequeno investidor deve diversificar sua carteira de ações. Colocar todos os ovos numa cesta só é bonito e eficiente para quem sabe exatamente se essa cesta não tem nem um furo.

Crédito da foto: Billie / PartsnPieces

Jovens, vamos comemorar a crise!

Jovem leitor, deveríamos comemorar este momento! Não existe melhor período para uma crise do que no começo de nossas vidas de investidor. Temos muito tempo para transformar esses prejuízos temporários em lucros enormes, ainda mais se soubermos aproveitar as promoções do mercado para comprar empresas subvalorizadas nos próximos meses.

Vejo pessoas contaminadas pelas notícias do mercado, perdendo o sono e ficando desesperadas. No fim, acabam esquecendo do óbvio: crises são as melhores oportunidades de compra.

Não sou o único a comemorar a crise, muitos investidores esperaram pacientemente por este momento. Aquele que não separou uma reserva para investir na crise, deve estar sofrendo. Pior é quem investiu dinheiro que vai precisar no curto prazo e terá que realizar esse enorme prejuízo.

Na lama estão os americanos….

Eles já perderam muito dinheiro com imóveis, ações e agora não adianta nem investir em renda fixa. Antes da crise os bonds americanos pagavam cerca de 5% ao ano. Com o corte dos juros para 1,5%, este investimento não servirá nem para proteger da inflação.

Note que existe uma grande diferença entre empresas americanas e brasileiras. Lá, a desvalorização das ações é menor, mas fundamentada. O preço das ações cai à medida que o valor das empresas degrada.

No Brasil as empresas continuam sólidas, apresentando resultados recordes e aumentando o seu valor. Em ambos os casos, os preços das ações desabaram. A diferença é que no Brasil o valor das empresas continua crescendo. Isso significa que hoje podemos comprar empresas que continuam com o mesmo valor (ou até maior), mas têm descontos de 50% no preço, as vezes até 85%.

Cenário positivo para investimentos em renda fixa

O cenário atual está excelente até para renda fixa! Talvez os próximos anos sejam os últimos nos quais teremos taxas tão atraentes para aplicar em títulos do governo, que estão pagando 15% no pré-fixado e 9% + IPCA na série NTN-B. Nenhum outro país paga essas taxas em um investimento considerado de “risco zero”.

As perspectivas para o médio prazo ainda são de elevação da taxa básica de juros e para longo prazo, a continuidade da redução. Caso essa expectativa do mercado seja verdadeira, os melhores investimentos para médio prazo seriam os títulos pós-fixados e o para longo prazo, os pré-fixados.

Mercado de ações em oferta

São tantas as oportunidades no mercado que fica até difícil escolher o que comprar nos próximos meses. De acordo com o Credit Suisse, a projeção do múltiplo P/L das empresas brasileiras deve ficar em 7,3x, o que é 34% abaixo da média histórica.

Caso esteja garimpando ações, vale a pena analisar as empresas que realizaram abertura de capital nos últimos anos, pois a maior parte dos acionistas eram estrangeiros que resgataram o dinheiro agora e derrubaram as cotações em mais de 65% (mas fique longe de construtoras e bancos pequenos).

Para o investidor inteligente, o que importa?

O tempo que a crise vai durar e o fundo do poço para Ibovespa são fatos irrelevante, pois ninguém consegue prever. Pagar 3x mais barato por uma empresa que continua com o mesmo valor, isso sim é importante! Como disse o jornalista Carlos Alberto Sardenberg: “toda crise é passageira”!

Mauro Halfeld falou hoje na CBN que a melhor estratégia é comprar ações lentamente, um pouco por semana, diversificando. “Para quem não tem pressa, comprar em conta gotas será um dos melhores negócios de nossas vidas“.

Agora chega de chorar pelas perdas! É hora de organizar sua estratégia de investimento para saber como aproveitar a crise. Ações e tesouro direto nunca estiveram tão atrativos desde que comecei a investir. Infelizmente não vivi as boas épocas em que a renda fixa pagava mais de 20% ao ano, mas estou feliz em aproveitar esta oportunidade!

“Toda crise é passageira” - Dow Jones de 1970-2008

Vai começar a investir agora? Leia esse post primeiro


Uma das maiores dificuldades para conseguir um investimento de sucesso é traçar uma estratégia. E mais difícil do que traçá-la é segui-la.

Qualquer investidor, por mais iniciante que seja, precisa ter em mente um plano, uma regra, uma estratégia de investimento que deve ser seguida ao longo do tempo.

Vou comentar nesse post alguns parâmetros que sigo para traçar a minha.

O primeiro de todos: Quanto de risco você está disposto a correr?

Essa pergunta é básica e todo o investidor deve fazer uma auto-análise para ver o quanto de risco está disposto a correr.

Quanto maior o risco, maior o lucro (ou prejuízo).

Eu me considero um investidor de risco médio-alto. Mantenho em minha carteira de ações 70% em blue ships (empresas grandes e consolidadas como Petrobrás e Vale) e 30% em small caps (empresas pequenas e com boas chances de crescimento como Mangels e Confab) e dinheiro especulativo (apostas para o curto-prazo).

Qual o tempo que você vai deixar o seu dinheiro investido?

Uma regra que você tem que ter clara é por quanto tempo seu dinheiro ficará aplicado. Você planeja comprar um carro ou um apartamento? É um dinheiro que só vai ser usado na aposentadoria? Vai usá-lo para pagar sua viagem de formatura? Vai pagar uma pós-graduação?

Após fixado o prazo, aloque sua carteira de acordo com o tempo que ela ficará investida. Quanto menos tempo, menor deve ser a parcela em investimentos de risco como ações.

Minha carteira é para longo prazo, algo em torno de 10 anos. Levando em conta o risco que quero correr (médio-alto) e o prazo vou ficar investido, divido minha carteira da sequinte maneira: 40% em renda fixa, 30% em multimecados e 30% em ações.

Que tipo de análise você seguirá?

Existem dois tipos de análise para a compra e venda de ações: a fundamentalista e a técnica. Estude as duas profundamente e veja qual tem mais o seu perfil. Ambas têm suas vantagens e desvantagens, mas nenhuma é 100% certa ou 100% errada.

Eu, como um investidor de longo prazo, optei pela análise fundamentalista. Gosto de escolher minhas empresas pelo que elas realmente são. Antes de comprar qualquer ação, analiso seu valor intrínseco, suas projeções, a perspectiva do setor, etc.

Utilizo a analise técnica apenas para ver se é uma boa hora para compra. Sempre dou uma olhada no gráfico, vejo seu IFR (índice de força relativa), sua tendência. Mas em nenhum momento uso essa análise escolher a empresa que vou investir, apenas para achar uma possível hora para entrar

Após a compra, acompanhe as notícias e relatórios da empresa

Depois de adquirir ações de uma empresa, não jogue-as no limbo. Acompanhe sempre o que ela está fazendo, as aquisições, as reestruturações. É um costume trabalhoso.

Uma vez a cada quinze dias dê uma procurada por notícias das suas empresas, leia o que a mídia está falando dela. Você pode usar esse site para procurar www.google.com/news.

Mantenha uma disciplina e siga o seu plano

Esse é o item mais difícil. Após traçar sua estratégia de investimento, siga ela a risca. Com toda a certeza do mundo, você passará por crises na bolsa. É nessa hora que um investidor fraco se distingui de um investidor de sucesso. É muito difícil manter a disciplina quando você comeca a perder dinheiro.

Sempre que ficar nervoso com as oscilações do merdado, reveja suas estratégias. Pensem no prazo que você fixou, nos ganhos acumulados desde que comecou a investir, leia esse post de como agir em épocas de crise, mantenha a cabeça fria.

O momento que estamos vivendo agora é um ótimo exemplo para testar a sua disciplina.

 

crédito da foto: http://www.more4kids.info/index.php?tag=saving-money

Como investir em épocas de crise?

Num momento delicado como o que estamos passando, a melhor estratégia para um investidor consciente é manter-se calmo e racional.

Todo investidor, por mais iniciante que seja, precisa seguir uma estratégia ao investir. Ele precisa ter claro em sua mente os prazos de seu investimento, o tipo de estudo que vai fazer para comprar ações (análise fundamentalista ou técnica), a alocação do dinheiro que vai para ações, renda fixa, multimerdados.

Em uma época como essa é que o investidor é testado. É na crise que sabemos se ele será capaz de investir conscientemente e seguir a estratégia traçada para seus investimentos.

Vou listar três simples fatos que podem tranqüilizar um o investidor.

Historicamente, a bolsa sempre sobre

Durante toda a vida da bolsa, houveram dezenas de crises, umas mais fortes que as outras, mas todas tiveram sua baixa recuperada após algum tempo.

Veja esse gráfico de 5 anos de bolsa. Em nenhum momento a bolsa parou de subir no longo prazo.

Seus R$0,60 na verdade valem R$1,00

Existem duas expressões comuns no mercado financeiro, o “valor de mercado” de uma empresa e o seu “valor intrínseco”.

O valor intrínseco nada mais é do que o valor que a empresa realmente vale, ou seja, o seu valor levando em conta o lucro, patrimônio liquido, perspectivas do setor, fluxo de caixa, etc.

O valor de mercado de uma empresa é o valor que o mercado de ações está dando para ela naquele instante. Esse valor é indicado pelo valor de sua ação.

Na bolsa, boa parte das empresas está com o seu valor de mercado menor do que seu valor intrínseco. Em uma época de crise como essa nada mais racional do que pensar no valor intrínseco da empresa em que você investe e deixar a euforia e nervosismo do mercado de lado.

A excelente chance de comprar papeis de boas empresas

Quando ocorre uma queda forte, uma ótima oportunidade para compra aparece. A premissa básica de qualquer investidor (e que o mega investidor Warren Buffet sempre cita) é “comprar na baixa e vender na alta”. Não existe conta mágica, é pura matemática.

Créditos das fotos: advfn e oscarbjarna

Encontrando as pechinchas do mercado: Value investing

Como já dizia o grande investidor Warren Buffet, “Preço é o que você paga, valor é o que você tem”.

Pense nessa frase e imagine que você possa comprar uma nota que vale R$ 1,00 por apenas R$ 0,60. Essa “metáfora” é utilizada freqüentemente para ilustrar o investimento em valor (value investing).

No mercado de ações, boa parte das empresas está com seu valor de mercado inferior ao valor intrínseco (“valor real” da empresa). Isso significa que você pode comprar boas empresas com grandes descontos.

Pela análise do Banco Safra divulgada hoje, poderíamos comprar ações da Usiminas hoje por R$ 62,95 (preço) quando na realidade elas valem R$ 103,50 (valor). Isso representa um desconto de 40%. O potencial de valorização pode ser melhorado ainda mais se pensarmos nas perspectivas de crescimento da empresa. Mas para este post, é o suficiente considerar que estamos pagando barato.

Com esse pensamento, é fácil entender o motivo pelo qual os investidores em valor dormem tranqüilo. Eles sabem que fizeram um bom negócio e não se preocupam com as crises, pois as utilizam como oportunidades de compras.

Não é apenas no mercado de ações que isso acontece. Revendedores de carros costumam pagar menos que o valor intrínseco do carro para conseguir uma margem de lucro maior. Pense agora no mercado imobiliário americano. O movimento de queda do mercado pela crise subprime está criando boas oportunidades para buscar desse desconto do valor intrínseco.

Como descobrir o valor intrínseco?

O valor intrínseco é encontrado através da análise fundamentalista com análise dos lucros, patrimônio líquido, fluxo de caixa descontado, perspectivas dos setores, entre outros fatores. A metodologia depende do modelo de valuation utilizado.

Para a maioria das pessoas, é suficiente acompanhar os relatórios e stock guides divulgados por grandes bancos e traçar uma média de valor intrínseco apenas para ter uma idéia da ordem de grandeza do “desconto” que estamos procurando.

Stock Guides abertos na internet:

» Banco Safra
» Elite Corretora

Como utilizar o investimento em valor para caçar pechinchas do mercado?

Como sempre dizemos, utilizar apenas um indicador é desaconselhável. Um bom desconto no preço de uma empresa pode embutir algum perigo judiciário ou má fase da empresa.
Não acredite sempre nos stock guides dos bancos. Nem sempre eles estão atualizados com o valor intrínseco justo e normalmente são ajustados trimestralmente e podem ficar defasados.

Recomendo a utilização desse indicador de “desconto” (100% - valor de mercado/valor intrínseco) apenas como um “filtro”. Uma utilização interessante seria restringir suas compras em papéis com descontos superiores a 40%, para minimizar os riscos. Nos próximos meses o mercado deve continuar em liquidação!

Compre barato e durma tranqüilo!

Pechincas do mercado de acordo com Stock Guide do Safra:
(lembre-se que um bom desconto nem sempre indica boa compra)

Empresa
Preço*
Valor*
Desconto*
Upside*
Petrobrás
R$ 35,16
R$ 55,13
36%
57%
Gerdau
R$ 31,50
R$ 48,32
35%
53%
Usiminas
R$ 64,25
R$ 103,50
38%
61%
Duratex
R$ 27,48
R$ 61,21
55%
123%
Ambev
R$ 89,50
R$ 166,50
46%
86%
1) Preço: Cotação em 29/07/2008
2) Valor: Stock Guide do Safra de 28/jul/2008
3) Desconto: (1 - Preço/Valor)
4) Upside: (Valor/Preço - 1)

Principais erros dos iniciantes da bolsa

Este post descreve alguns dos principais erros cometidos por iniciantes na bolsa. Para quem já sabe o que está fazendo, alguns dos itens podem não parecer um “erro”, mas sim uma estratégia de investimento.

1) Concentrar compras em um período curto de tempo

É muito comum ver iniciantes investindo grande reserva de dinheiro de uma vez só. Mas o mercado é imprevisível, não sabemos se estamos comprando antes de um período de grande queda.

Por esta razão, é interessante fazer compras em períodos espaçados para conseguir um preço médio justo. Boas oportunidades de compra surgem para aqueles que sabem aguardá-las.

2) Investir dinheiro que vai precisar no curto prazo

O movimento do mercado é imprevisível e irracional no curto prazo. Investir dinheiro comprometido, mesmo em uma excelente empresa sub-precificada, é uma péssima idéia. O mercado só passa a ser racional no longo prazo.

Muitos investem reservas financeiras em especulações de curto prazo e acabam vendendo as ações na baixa, exatamente quando precisam do dinheiro.

Para quem precisa do dinheiro no curto prazo, vale a pena investir em títulos públicos ou fundos de renda fixa. Caso opte pela primeira opção, procure casar o vencimento do título com a data em que vai precisar do dinheiro (se precisar do dinheiro em 1 ano, compre um título que vença em um ano).

3) Seguir carteiras mensais sugeridas por bancos

Bancos e corretoras costumam montar uma carteira concentradas com até 10 ativos e atualizam mensalmente. A idéia parece interessante, mas acaba sendo uma sacanagem com os investidores.

O grande problema é que o dinheiro gasto com corretagem e imposto de renda acabam corroendo o lucro (isso quando ele existe). Movimentar mensalmente a carteira dá muito trabalho, pois você pode acabar perdendo o incentivo de isenção de IR e precisa fazer cálculos mensais.

Nessa condição, o investidor acaba conseguindo rendimentos bem inferiores ao próprio Ibovespa. Quem fica rico, no final, são os bancos.

4) Comprar na alta e vender na baixa

Pode parecer óbvio que ninguém vai comprar na alta e vender na baixa. Mas quem segue a euforia o mercado, tem grandes chances de fazer isso.
Comprar quando todos estão comprando e vender no desespero quando todos estão vendendo, é seguir o mercado. E ao fazer isso, você pode perder muito dinheiro.

Buffet e outros grandes investidores ensinam que precisamos fazer o contrário. Comprar quando todos estão vendendo, e vender quando todos estão comprando (ou seja, comprar na baixa e vender na alta). Obviamente que as ações compradas precisam ser de empresas que se encaixam em sua estratégia.

5) Ficar 100% comprado em ações, sem reserva

Para investidores de longuíssimo prazo (20, 30 anos) pode até fazer sentido um posicionamento total em ações. Mas isso nunca deve ser feito.

O motivo é simples: Historicamente, o mercado sempre apresenta grandes quedas. Essas quedas são excelentes oportunidades de compra para quem possui reserva. Entre as últimas quedas estão:

  1. Nov/1998: Crise da Rússia;
  2. Dez/2000: Bolha da internet;
  3. Jan/2008: Sub-prime e recessão norte-americana.

Na bolha da internet, o índice Dow Jones caiu pela metade e o Nasdaq caiu para 1/3 de seu valor. Uma excelente oportunidade de compra para quem possuía reservas!

Graham propõe em sua obra The Intelligent Investor uma exposição entre 25% e 75% em ações e o restante em títulos. Quando mais precificado (“caro”) o mercado fica, menor a exposição em ações.

Nessa situação, sempre teremos uma reserva para comprar ações sub-precificadas após grandes quedas de mercado.

6) Misturar dinheiro especulativo com investimentos de longo prazo

É difícil ficar longe das especulações do dia-a-dia. O que não podemos fazer é confundir o dinheiro de longo prazo com o especulativo. Investimentos de curto prazo precisam ter objetivos bem definidos (tanto de lucros quanto de prejuízos).

Pessoas que não limitam a perda em especulação de curto prazo acabam deixando aquele prejuízo como um investimento de longo prazo. O problema é que na especulação, a empresa geralmente não é analisada em seus fundamentos e esse “investimento” desfundamentado acaba virando um pesadelo.

7) Seguir recomendações de blogs, fóruns e amigos

Suspeite de qualquer dica quente ou recomendação, mesmo que do seu melhor amigo. Afinal, quem vai amargurar o prejuízo é você. Mesmo aquelas “dicas quentes” que circulam nos bastidores do mercado financeiro podem ser perigosas, pois você pode ser o último e receber tal dica.

Isso é válido também para bancos, que às vezes recomendam empresas que nunca comprariam na mesma situação. Veja o caso Henry Blodget que recomendava, em nome do Merril Lynch, a compra de empresas que sabia ser um lixo.

O que eu considero muito perigoso são as recomendações que circulam na internet, fóruns e comunidades. Todos os dias eu vejo pessoas recomendando compra “micos” para iniciantes, que mal sabem que essas empresas não valem nada (a maioria delas está com patrimônio líquido negativo, ou seja, falida). Alguns exemplos: TELB4, TOYB4, WISA4, GAZO4, ESTR4, HOOT4.

Minha recomendação para quem está começando?

Leia muito! Relatórios, textos sobre grandes investidores, livros sobre análise fundamentalista, relatórios anuais das empresas. Em breve lançaremos a parte do blog com links para sites interessantes.

A partir de quanto dinheiro devo investir na bolsa?

Essa é uma pergunta que alguns amigos meus já me fizeram e eu acho que vale a pena um post para explicar.

A resposta é: A partir de qualquer quantia! A diferença é o jeito que você vai investir!

Para quantias pequenas de até R$ 2.000, recomendo investir através de fundos do seu banco. Todos os bancos dispõe de fundos de ação, sejam eles exclusivos da Petrobrás ou Vale ou fundos mais diversificados que investem em setores específicos ou que buscam seguir indicadores como o ibovespa.

Para quantias maiores, a partir de R$ 2.000 eu recomendo investir através de corretoras de valores.

Por que?

A explicação é puramente matemática. Mas antes eu irei explicar brevemente as taxas que são cobradas em cada caso.

No caso de um fundo de investimento

Quando você investe em ações através de um fundo de investimento, você paga o Imposto de renda e a Taxa de administração.

O imposto de renda de um fundo de investimento em ações é fixo em 15%.

A taxa de administração é a quantia que os bancos cobram para gerenciar o seu dinheiro. O valor costuma variar de 1% a 4% por ano e incide sobre o valor investido. Na tabela de rentabilidade do fundo, essa taxa já vem deduzida.

No caso de uma corretora

Quando você investe em ações através de uma corretora de valores, você paga o Imposto de Renda, a taxa de custódia e a taxa de corretagem.

O Imposto de Renda só é cobrado se você vender mais de R$20.000 num mês e obtiver lucros. Se vender menos do que isso você é isento.

A taxa de custódia é a mensalidade da corretora. Muitas corretoras hoje em dia não cobram mais essa taxa.

A taxa de corretagem é um valor que você paga quando faz uma compra ou uma venda de ações. Esse valor muda de corretora para corretora. A Ágora, por exemplo, cobra R$20,00 de corretagem e a Ativa R$15,00.

Explicando

Suponha que você vá comprar R$1000,00 em ações da Petrobrás.

Se você for aplicar pelo fundo do banco, não pagará nada pela compra, apenas o IR no saque e a taxa de administração anual.

Se você for comprar pela corretora (suponha que estamos usando a corretora Ágora). Você pagará só por fazer a compra, R$20,00 de corretagem. R$20,00 é 2% de R$1000,00 e isso nos diz que só para seu investimento pagar a corretagem ele terá que render 2%! E pior, quando você vender, você pagará mais R$20,00!!

Quando você for fazer compras acima de R$2000,00 a corretagem começa a ser diluída e aí sim começa a valer.

Observações extras

O imposto de renda, a taxa de custódia e a taxa de administração também devem ser analisadas na hora de escolher por qual meio investir, porém, para ser mais didático, preferi focar só na corretagem pois é onde incide o maior peso e os investidores inexperientes não tomam cuidado.

Existem muitas corretoras que cobram a corretagem levando em conta a quantidade de dinheiro movimentado. Nesses casos, é o calculo fica mais perigoso e essa regrinha dos R$2000 não se aplica.

Crédito da foto: Jay D

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