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Desvendando os Dividendos - Parte 2/2

Como reinvestir dividendos (e outros proventos)?

Muitos investidores não dão atenção para o dinheiro que é entra na conta bancária como pagamento de dividendos. O motivo é simples: normalmente representam menos de 2% do valor investido. Com isso, este dinheiro precioso acaba não sendo reinvestido e são rapidamente consumidos pelos gastos do dia-a-dia. No curto prazo pode parecer pouco, mas reinvestir os dividendos aumenta incrivelmente a rentabilidade de uma carteira de longo prazo.

Uma dica para manter a disciplina é investir todo dinheiro recebido em um fundo de renda fixa até juntar um montante suficiente para ir “as compras”. Depois de algumas décadas você terá mais ações da empresa e, consequentemente, receberá mais proventos (no longo prazo esta prática cria uma curva de rentabilidade exponencial semelhante a do juros composto). A vantagem é que as aplicações de renda fixa não pagam taxa inicial de aporte ou corretagem (mas lembre-se que aplicações de curto prazo pagam IOF).

É interessante fazer o controle de todos os proventos recebidos durante o ano. A CBLC envia relatórios mensais com esses valores e as empresas das quais você é sócio são obrigadas a enviar o informe de rendimento anual com Juros Sobre Capital Próprio e Dividendos. Na prática, a maioria das empresas não envia informe dos dividendos, então cabe a você fazer esse controle. No Ajuste Anual de Imposto de Renda você também deve declarar tudo, mas isso falaremos em nosso guia de IR online que pretendemos lançar.

Reinvestimento automático - Algumas empresas e bancos possuem serviço de reinvestimento automático de dividendos em ações. A Vale possui este serviço desde 2005.

Porque os dividendos são isentos de IR?

Como dissemos no posta anterior, dividendos representam uma parcela do lucro líquido. Acionistas não precisam pagar imposto de renda pois a própria empresa já o fez.

Caso queira se aprofundar no assunto, veja como funciona a Demonstração de Resultado de Exercício, que é obrigatória para empresas de capital aberto. Ela mostra como é calculado o lucro líquido de uma empresa.

Selic como limitadora de dividend yield

Podemos ver que o dividend yield dificilmente supera a taxa básica de juros. Primeiro pois uma empresa, mesmo com pay-out elevado, dificilmente consegue tamanho lucro. Mas vamos supor que uma empresa saudável atinja um dividend yield acima da taxa básica de juros.

A “rentabilidade” dos dividendos acima da taxa de juros já seria suficiente para atrair investidores em renda fixa para tais ações. Além do mais, empresas saudáveis tendem a valorizar no longo prazo. Por esta razão, raramente uma empresa saudável tem o dividend yield acima da taxa de juros (os maiores dividend yield estão sempre abaixo da Selic, que serve como um limitante deste indicador).

Já uma empresa que estava com boa rentabilidade passada, mas passa por períodos de dificuldades no presente (desastre natural, problemas judiciais), pode apresentar um dividend yield elevado. Isso se deve pois o dividend yield considera resultado passado, mas o preço das ações reflete uma situação presente. Então, uma elevação brusca do dividend yield deve ser vista com cautela, ainda mais para empresas que historicamente não tinham este indicador tão elevado.

Empresa Yield
Transmissão Paulista 13,00%
Eletropaulo 13,00%
SELIC 11,75%
Eternit 11,41%
Telefônica 11,04%
Aês Tietê 9,84%
CPFL 9,3%
Energisa 9,15%
Santander 8,74%
Equatorial 8,53%
Souza Cruz 7,55%
Brasil Telecom 7,71%
Comgás 7,12%
Grendene 6,66%

Na tabela acima podemos ver um exemplo de empresa que apresentou bons resultados no passado, mas está sofrendo no presente. As ações da Eternit despencaram após notícia da proibição do uso de amianto. Por este motivo, seu dividend yield está altíssimo. Mas veja o que o mercado não deixou a ação cair mais, um indício dessa “teoria” de que a Selic limita o aumento do dividend yield.

Desvendando os Dividendos - Parte 1/2

Pela Lei das S.A., as empresas são obrigadas a distribuir pelo menos 25% do lucro líquido do exercício em forma de dividendos. Esta taxa é conhecida como pay-out e varia entre 25% e 100% (empresas com prejuízo no último exercício não distribuem dividendos). Distribuir 25% de dividendos significa manter os outros 75% do na empresa em forma de reinvestimento - essencial para o crescimento da empresa.

Neste ponto de vista, podemos considerar que a parte do lucro destinado aos acionistas minimiza o crescimento da empresa. Para um investidor com perfil de Warren Buffet, que compara a compra de ações com um casamento para a vida inteira (”Our favorite holding period is forever“), o dividendo passa a ser uma remuneração justa. Há quem defenda que este dinheiro já era direito do acionista, por ser dono de uma parte da empresa.

Neste e no próximo irei comentar sobre algumas curiosidades relacionadas a este tema.

Data “ex-dividendos” - é possível ganhar dinheiro no curto-prazo com dividendos?

Quem nunca pensou em comprar uma ação apenas para receber dividendos no curto prazo? Parece um método brilhante de conseguir dinheiro, mas se fosse verdade, todos o fariam. Todas as empresas divulgam as data “ex-dividendo” da ação. Se você abrir o pregão com a ação na carteira na data em que o papel passa a operar “ex-dividendos”, você terá direito a recebê-los (normalmente poucos meses depois).

Agora imagine que você compre essa ação um dia antes da data ex-dividendos e ganhe esse direito de receber 3% de dividendos. Isso significaria um rendimento de 3% em apenas um dia, certo? Errado! Isso não acontece pois a cotação da ação é ajustada para baixo na mesma proporção de modo a cancelar este rendimento.

Isto significa que se no dia anterior o fechamento da ação foi em R$ 100,00, a ação vai abrir a R$ 97,00. O que acontece é que as vezes o mercado não acredita nessa diferença de 3%, e a ação acaba voltando aos patamares de R$ 100,00. Esse aumento pode ocorrer no mesmo dia ou demorar um tempo.

Então valeria a pena comprar uma ação na abertura do dia ex-dividendo, pensando apenas na valorização “pós-queda”? Nem sempre, pois esse ajuste no preço tem fundamentos e o mercado pode demorar a precificar esta ação ao patamar anterior.

Correlação entre P/L e pay-out

Se compararmos o indicador P/L e o pay-out de empresas, podemos encontrar uma correlação interessante. Empresas que tem pay-out elevadíssimo podem ter um P/L abaixo da média. Para explicarmos o porquê desta correlação, precisamos verificar quais têm pay-out elevado.

Entre os setores que apresentam pay-out elevado podemos citar as de concessionárias de rodovias, elétricas, saneamento e ferroviárias. Normalmente este tipo de empresa depende de concessões do governo que duram muitos anos e, algumas vezes já atingiram o nível de “saturação de crescimento”, não necessitando imediatamente de capital para novos investimentos. Existem também empresas que não reinvestem o lucro pois preferem captar dinheiro com empréstimos.

Agora que sabemos o tipo de empresa que tem pay-out elevado, podemos fazer a correlação com um P/L. Como vimos em um post anterior, o P/L é a razão entre preço da ação e lucro líquido por ação. Normalmente o preço da ação de uma empresa já embute uma expectativa de crescimento futuro. Isso significa que empresas com forte crescimento anual costumam apresentar P/L elevado.

As empresas que não reinvestem o lucro e também não captam empréstimos, crescem menos. Desta forma, o preço da ação não embute esta expectativa de crescimento, reduzindo o indicador P/L.

Reinvestir lucro líquido ou buscar empréstimos?

Existe o caso específico das empresas que distribuem grande parte do lucro líquido em dividendos e para compensar, injetam capital “novo”. Isto acontece com frequência em empresas que obtêm empréstimos ou lançam debêntures no mercado (podemos o caso das Lojas Americanas, que distribui mais de 90% do lucro líquido, mas investe capital utilizando empréstimos).

Quando as empresas precisam de caixa para realizar grandes projetos (como a concessão do Rodoanel, por exemplo), é possível captar dinheiro através de emissão de debêntures ou financiamentos de longo prazo (veja esta notícia sobre o financiamento da CCR).

Na realidade, faz sentido captar dinheiro em um empréstimo de longo prazo para uma obra que trará benefícios também de longo prazo. Isso explicaria o motivo pelo qual uma empresa pode ter P/L e pay-out alto. Mas existe uma questão a ser levantada:

Será que se a empresa mantivesse o lucro líquido reinvestido a taxa Selic, não seria um capital mais barato do que um empréstimo de longo prazo?

Essa é uma decisão que a empresa precisa fazer, levando em conta seu custo de oportunidade.

No próximo post falaremos sobre a isenção do IR sobre dividendos e o motivo pelo qual algumas pessoas acreditam que a Selic pode ser limitadora da taxa dividend yield.

Dividend Yield, quanto de dividendos uma empresa paga?

Continuando a série de artigos explicativos sobre alguns indicadores que todo investidor deve conhecer, irei falar um pouco sobre o Dividend Yield.

Toda a empresa aberta em bolsa paga a seus acionistas uma parcela do lucro conhecido como dividendo. Esse pagamento é proporcial a sua fatia da propriedade da empresa (ou seja, o número de ações que você possui). O indicador Dividend Yield nos diz quanto tal empresa paga ao seu investidor.

O indicador é muito simples de entender, ele é uma divisão de quanto a empresa paga de dividendo por ação pelo preço da ação:

Esse pagamento pode ser anual, semestral, mensal, semanal, etc. Depende de empresa para empresa.

Exemplificando

Vamos pegar um exemplo, a Petrobrás (PETR4), que tem o Dividend Yield nos dias de hoje igual a 1,7%.

Se você tem 100 ações da Petrobrás no dia de pagamento do dividendo e o preço do papel está em R$45,00, com uma simples conta chegamos ao valor de dividendos pago:

Logo o dividendo pago por ação é de:

Multiplicando o dividendo pelo número de ações que temos:

Chegamos ao total de 76,5 reais pagos por termos 100 ações da Petrobrás, simples não?

Tais pagamentos entram direto na sua conta corrente da corretora, basta olhar o extrato e lá estará o dinheiro!

Algumas empresas que paga bons dividendos

Alguns setores como energia elétrica e bancos são conhecidos pela alta porcentagem de Dividend Yield, segue abaixo uma pequena lista de empresas que paga bons dividendos:

  • CPFL Energia (CPFE3) - 9,66%
  • CEMIG (CMIG4) - 5,49%
  • Eletropaulo (ELPL5) - 13, 62%
  • Santander (SANB3) - 7,42%
  • Unibanco (UBBR11) - 3,92%
  • Usiminas (USIM5) - 4,05%

Conclusões

Olhar o Dividend Yield de uma empresa também é recomendado na hora de fazer uma escolha. Empresas que paga bons dividendos são interessantes de se ter na carteira.

Como o indicador é uma fração que varia conforme o preço da ação, uma porcentagem muito alta pode ser consequência de uma ação muito barata, por tanto não compare o Dividend Yield de duas empresas sem antes ver o preço da ação.

Você pode ver o Dividend Yield de várias empresas nesse site: http://mapamercado.vci.com.br/

O Investidor Jovem não se responsabiliza pelas decisões de investimento tomadas com base nas idéias aqui exprimidas, nem pela exatidão e/ou veracidade dos dados aqui colocados.