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Como mensurar a crise de liquidez: TED Spread

Investidores estão acompanhando a injeção de liquidez dos bancos centrais do mundo inteiro na tentativa de conter a crise. O movimento especulativo do mercado no começo da semana foi apenas um sinal de aprovação, mas não mostra uma melhora real no problema.

Para acompanhar o efeito dessas ações nos próximos meses, podemos usar um indicador do chamado TED Spread. Ele é a diferença entre as taxa de empréstimo interbancário (LIBOR) e taxas de juros do Tesouro dos Estados Unidos, ambos para um contrato de 90 dias.

Fórmula para cálculo:
TED Spread = LIBOR - US Bonds*
* ambos de 3 meses

A taxa do tesouro é considerada risco-zero, local para onde fogem os investidores em momentos de risco. Já a taxa LIBOR é de maior risco, pois um empréstimo de 3 meses entre bancos pode parecer uma eternidade no cenário atual.

Interpretando o TED SPREAD

Quanto maior o seu valor, maior o problema de liquidez, pois significa que o empréstimo entre bancos está muito arriscado e caro.

Em tempos normais, este indicador costuma oscilar entre 0,3% e 0,8%. O maior pico histórico aconteceu na crise de 1987 no dia conhecido como Black Monday, dia no qual o índice Dow Jones caiu 22,6% e o TED Spread  ultrapassou os 3%.

Agora estamos em um novo pico histórico do TED Spread, que chegou a bater 4,63% no último dia 10. Esse indicador mostra uma situação muito pior do que na crise de 1987, quando o mercado demorou mais de 2 anos para se recuperar das perdas.


TED Spread atingiu o maior nível histórico esta semana

As conclusões que podemos tomar do gráfico acima é que estamos na pior semana da crise em termos de liquidez interbancária e os efeitos dos pacotes ainda não apareceram. Saberemos que a confiança do mercado estará normalizada quando o indicador voltar aos patamares anteriores.

Mais sobre TED Spread

Dividend Yield, quanto de dividendos uma empresa paga?

Continuando a série de artigos explicativos sobre alguns indicadores que todo investidor deve conhecer, irei falar um pouco sobre o Dividend Yield.

Toda a empresa aberta em bolsa paga a seus acionistas uma parcela do lucro conhecido como dividendo. Esse pagamento é proporcial a sua fatia da propriedade da empresa (ou seja, o número de ações que você possui). O indicador Dividend Yield nos diz quanto tal empresa paga ao seu investidor.

O indicador é muito simples de entender, ele é uma divisão de quanto a empresa paga de dividendo por ação pelo preço da ação:

Esse pagamento pode ser anual, semestral, mensal, semanal, etc. Depende de empresa para empresa.

Exemplificando

Vamos pegar um exemplo, a Petrobrás (PETR4), que tem o Dividend Yield nos dias de hoje igual a 1,7%.

Se você tem 100 ações da Petrobrás no dia de pagamento do dividendo e o preço do papel está em R$45,00, com uma simples conta chegamos ao valor de dividendos pago:

Logo o dividendo pago por ação é de:

Multiplicando o dividendo pelo número de ações que temos:

Chegamos ao total de 76,5 reais pagos por termos 100 ações da Petrobrás, simples não?

Tais pagamentos entram direto na sua conta corrente da corretora, basta olhar o extrato e lá estará o dinheiro!

Algumas empresas que paga bons dividendos

Alguns setores como energia elétrica e bancos são conhecidos pela alta porcentagem de Dividend Yield, segue abaixo uma pequena lista de empresas que paga bons dividendos:

  • CPFL Energia (CPFE3) - 9,66%
  • CEMIG (CMIG4) - 5,49%
  • Eletropaulo (ELPL5) - 13, 62%
  • Santander (SANB3) - 7,42%
  • Unibanco (UBBR11) - 3,92%
  • Usiminas (USIM5) - 4,05%

Conclusões

Olhar o Dividend Yield de uma empresa também é recomendado na hora de fazer uma escolha. Empresas que paga bons dividendos são interessantes de se ter na carteira.

Como o indicador é uma fração que varia conforme o preço da ação, uma porcentagem muito alta pode ser consequência de uma ação muito barata, por tanto não compare o Dividend Yield de duas empresas sem antes ver o preço da ação.

Você pode ver o Dividend Yield de várias empresas nesse site: http://mapamercado.vci.com.br/

O indicador P/L

Um dos indicadores mais utilizados para análisar uma ação é o Preço/Lucro, também conhecido como P/L. Resumidamente, esse indicador nos dá indícios se uma ação está barata ou cara.

O P/L é um indicador bastante simples e é um bom critério de comparação entre duas empresas de um mesmo setor.

Um exemplo prático, o P/L da GGBR4 (Gerdau) está nos dias de hoje em 24,41 e o da USIM5 (Usiminas) em 15,00. Comparando os dois papéis poderiamos dizer que USIM5 está mais atraente do que GGBR4 pois seu P/L é menor.

Uma analogia simples e explicativa para entender o P/L é a seguinte: Suponha que você tenha investido R$1000 numa empresa cujo P/L é 8. Esse indicador diz que em 8 anos, você terá um lucro de igual ao valor que comecou, ou seja, um lucro de R$1000.


Problemas do P/L

O P/L é um belo indicador porém NUNCA deve ser a única forma de análise de uma empresa. Ele deve ser usado como um critério a mais na sua decisão, mas não ser a base dele. O Preço/Lucro não responde bem para várias situações, entre elas posso citar algumas:

  • Empresas com crescimento anormalmente rápidos podem ser boas para investir e ter o P/L distorcido devido a esse crescimento
  • Comparar P/Ls de empresas de diferentes setores pode ser perigoso. Por exemplo, O P/L de papéis de empresas de tecnologia, que contam com maiores perspectivas de crescimento, tende a ser mais elevado que o indicador para o setor de energia elétrica.
  • Um evento atípico pode fazer o lucro de uma empresa crescer astronomicamente e como consequência, seu P/L diminuirá. Por ter sido um evento não-comum, pode ser perigoso levar em conta o P/L dessa empresa.
  • Diferenças na contabilidade do cálculo do Lucro de uma empresa pode gerar um P/L irregular
  • A regra de que o P/L é igual ao número de anos necessários para ter um lucro igual ao seu dinheiro investido inicialmente quase nunca é valida pois o P/L varia muito com o decorrer do tempo.

Então por que usar o P/L?

O indicador, atrelado a uma análise das perspectivas da empresa podem indicar uma boa compra. Se uma empresa tiver uma boa rentabilidade, bons lucros, e não houver nenhuma razão para uma deterioração, um P/L baixo é atrativo, especialmente se estiver inferior ao seu nível histórico.

Como calcular um P/L?

Essa é a parte chata que todo mundo pula! Se preferir, entre direto nesse site, coloque a ação que deseja ter o P/L e pronto: http://www.fundamentus.com.br/detalhes.php?papel=PETR4&tipo=1

Agora se você é curioso, calcular o Preço/Lucro não é dificil. A formula é simples:

Formula do P/L

O númerador é o preço por ação, aquilo que você acompanha todo dia no site. O denominador é o lucro da empresa dividido pelo número de ações disponíveis no mercado.

Vamos a um exemplo prático, o da BBAS3 (que só possui ações ordinárias e facilitam o cálculo) com os valores de hoje (19/05/2008) retirados desse site: http://www.fundamentus.com.br/detalhes.php?papel=bbas3&x=823&y=71

  • Preço da ação: 29,90
  • Quantidade de ações ordinárias disponíveis no mercado: 2.542.180.000
  • Lucro líquido nos últimos 12 meses: 5.996.790.000

Fazendo umas continhas para achar o lucro por ação:

  • Lucro por ação = Lucro líquido / Quantidade de ações
  • Lucro por ação = 5.996.790.000 / 2.542.180.000
  • Lucro por ação = 2,359

Aplicando a fórmula do P/L com os dados

  • P/L = Preço da ação / Lucro por ação
  • P/L = 29,90 /2,359
  • P/L = 12,67

Obs.: Para papéis tipo PETR4 que possuem ações ordinárias e ações preferenciais o cálculo muda um pouco, é necessário fazer soma ponderada do Lucro por ação. Para termos didáticos, usei o BBAS3.

O Investidor Jovem não se responsabiliza pelas decisões de investimento tomadas com base nas idéias aqui exprimidas, nem pela exatidão e/ou veracidade dos dados aqui colocados.