Onde investir após Investment Grade – Small Caps
Após recebimento do segundo sêlo de investment grade pelo Brasil, os investidores precisam decidir em quais papéis apostar.
Neste post vou mostrar algumas opções interessantes, que seguem mais a linha de “investimento ativo”. Existem pequenas jóias do mercado que ainda não foram descobertas pelos estrangeiros e podem virar destaque pós-investment grade.
Que setores devem ser beneficiados?
O consenso do mercado é que as grandes beneficiadas serão as empresas que dependem de empréstimos de longo prazo, como as imobiliárias e bancos, e as diretamente ligadas ao consumo interno.
Largecaps ou Smallcaps?
É muito provável que o investidor tenha empresas como Petrobrás, Vale, Gerdau, Usiminas, Aracruz e VCP em sua carteira de longo prazo. O que muita gente não sabe, é que elas já possuíam o selo de grau de investimento muito antes do Brasil. Isto significa que já existiam fundos do exterior investindo nessas empresas.
Apenas agora, com o segundo sêlo, o Brasil passa a receber oficialmente o grau de investimento. Com isso, alguns fundos estrangeiros poderão investir nas small caps (muitos fundos utilizam a política de investir apenas em países com tal classificação).
A seleção de Small Caps e Mid Caps
Benjamin Graham chama de investidor empreendedor aquele que investe ativamente, analisando empresas em busca de jóias sub-precificadas. Abaixo faremos uma lista de algumas small caps e mid caps interessantes e cabe ao leitor, analisá-las com maior profundidade.
Obs: No exterior, costuma-se considerar mid cap empresa com valor de mercado inferior a US$ 8 bilhões (dólares) e small cap abaixo de US$ 1 bilhão.
As recomendações abaixo estão longe de formar uma carteira, mas podem servir de início para uma investigação mais apurada. Acredito que Small Caps e Mid Caps podem ser mais exploradas, principalmente pelos investidores jovens que tem o longo prazo a seu favor. Nos próximos vamos esclarecer melhor como analisar os indicadores abaixo (Liquidez, P/VPA, ROE, Crescimento de PL, entre outros).
Sadia (SDIA4)
| Setor |
Consumo
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| Preço Atual |
R$ 13,80
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| Valor de Mercado |
R$ 9,5 bilhões
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| P/L |
11,83x
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| P/VPA |
3,1x
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| Cresc. PL 5a |
87%
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| ROE % |
18%
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| Liquidez Corrente |
1,97
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| Endividamento Geral |
1,85
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Pontos positivos:
» Receita operacional cresceu 24% em 2007
» Taxa de crescimento nos últimos 5 anos superior a 10% ao ano.
» Demanda aquecida no mercado externo
» P/L abaixo da média do setor (Perdigão com P/L acima de 35x)
» Joint Venture com Kraft Foods no mercado de queijos
» Forte crescimento do patrimônio líquido, que cresceu 200% de 2001 para 2008. Isto mostra o compromisso da empresa em reinvestir os ganhos em novas fábricas, P&D (pesquisa e desenvolvimento) e aquisições.
Pontos negativos:
» Recente alta nas ações deixa menos espaço para valorização
» Perde competitividade com queda do dólar no curto-prazo, pois 50% das vendas são para exterior
» Embargo causado por problemas sanitários, principalmente no setor agícola (newcastle, gripe aviária).
Banco Pine (PINE4)
| Setor |
Bancário (Crédito)
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| Preço Atual |
R$ 12,90
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| Valor de Mercado |
R$ R$ 1,1 bilhão
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| P/L |
6,71x
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| P/VPA |
1,44x
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| ROE % |
20%
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| Liquidez Corrente |
1,21
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| Endividamento Geral |
6,22
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Pontos positivos:
» P/L muito baixo para o setor
» Crescimento de 98% no lucro líquido no 1T08.
» Crescimento de 133% na carteira de clientes empresariais (1T07 e 1T08)
» IPO recente no subprime penalizou as ações nos últimos meses.
» Captação mais barata no exterior, com o Investment Grade.
» Crédito consignado (descontado na folha de pagamento) reduz o risco de crédito e é um dos principais produtos do banco.
Pontos negativos:
» Empresa pouco líquida corre grande risco em momentos de crise (vide crise de liquidez atual dos EUA). O índice de liquidez corrente está em 1,2x, o que é baixo para uma empresa de crédito deste porte.
» Financiamento de automóveis em prazos longos pode trazer risco de crédito, já que o consumidor brasileiro não esta acostumado a esses longos períodos de financiamento.
Hypermarcas (HYPE3)
| Setor |
Consumo
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| Preço Atual |
R$ 21,99
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| Valor de Mercado |
R$ 3,3 bilhões
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| P/L |
9,90x *
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| P/VPA |
4,85x
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| ROE |
???
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| Liquidez Corrente |
1,38
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| Endividamento Geral |
1,80
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| * Calculado a partir de nossa projeção do lucro líquido usando dados do 1T08 | |

Pontos positivos:
» Investimentos em marketing e aquisições com dinheiro captado no IPO.
» Múltiplo P/L muito atraente para o setor (Unilever internacional está próxima de 16x).
» Valor intangível de marcas como Engov, Epocler, Zero Cal, Assolan não entram na contabilidade (não são mensuráveis).
» Crescimento de 32% no EBITDA ajustado (comparação entre 1T07 e 1T08).
» Diversificação do portfólio de produtos.
Pontos negativos:
» Índice de liquidez muito baixo para o setor. Natura, Saraiva, Drogasil, estão entre 1,5x e 2,4x.
» Recente alta nas ações deixa menos espaço para valorização
» IPO muito recente costuma apresentar alta volatilidade.
» A ação pouco negociada na bolsa (baixa liquidez de negociação).
» Lei do Silêncio: Bancos e corretoras não podem comentar a empresa em IPOs recentes. Cabe ao leitor analisar por conta própria, assumindo os próprios riscos.
Fertilizantes Heringer (FHER3)
| Setor |
Fertilizantes
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| Valor de Mercado |
R$ 1 bilhão
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| Preço Atual |
R$ 23,49
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| P/L |
13x
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| P/VPA |
2,0x
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| ROE |
16%
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| Liquidez Corrente |
1,30
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| Endividamento Geral |
1,64
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Pontos positivos:
» Múltiplo P/L e VPA muito atraente para o setor (Fosfértil com P/L em 23x e Yara Brasil 29x).
» Forte demanda com crescimento populacional e de renda. Setor em estágio inicial de ciclo de alta.
» Setor promissor de biocombustível/álcool.
» É indiferente a ‘modismo’ do setor agrícola, pois é utilizado em todos tipos de plantação (feijão, cana de açúcar, milho, soja, café, etc.)
» Forte crescimento nos resultados 1T08 (crescimento de 90% na EBTIDA e 81% na receita líquida).
» Redução em 31% nas despesas (de venda, gerais e administrativas). Com isso, a margem líquida subiu 7% em relação ao mesmo período do ano passado.
» Crescimento de 10% na fatia de mercado (Market Share subiu de 12,7% para 13,9%).
» Historicamente, o 3º e 4 trimestre apresentam resultados fortes e representam cerca de 70% das vendas. Por este motivo, pode ser interessante a compra desses ativos antes dos terceiro trimestre.
Pontos negativos:
» Crescimento no preço dos insumos para produção em mais de 70% nos últimos 12 meses.
» Redução na margem de lucro dos agricultores pode ser negativa para o setor, ainda mais com a valorização do real no curto-prazo.
» Sazonalidade causa discrepância nos resultados trimestrais.
» Boa parte dos insumos para produção dos fertilizantes são importados, o que pode ser negativo (mercado prevê valorização do dólar no longo prazo). Essa dependência cambial não pode ser compensada, já que a empresa está voltada para o mercado interno.
Mangels (MGEL4)
| Setor |
Rodas e Aço
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| Preço Atual |
R$ 16,78
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| Valor de Mercado |
R$ 294 milhões
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| P/L |
7,76x
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| P/VPA |
1,4x
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| Crescimento PL 5a |
25%
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| ROE |
18%
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| Liquidez Corrente |
2.13
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| Endividamento Geral |
2.47
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| Download Relatórios |
1T08 (kit) | Anual 2007
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Pontos positivos:
» Extremamente beneficiada com aumento da venda de automóveis
» Alongamento do financiamento do automóvel deixa mais dinheiro para usuários gastaram com acessórios (rodas de liga leve).
» Maior plano de investimentos da história, iniciado em 2007. No total, estão sendo investidos R$ 192 milhões entre 2007 e 2009.
» Mercado de aço aquecido (construção civil e setor de automóveis). A empresa vende para setores: automobilístico, construção civil, autopeças, eletrodomésticos.
» 94% da receita está ligada ao mercado interno, que é o mais beneficiado com o Investment Grade.
Pontos negativos:
» Endividamento elevadíssimo (Divida Bruta/Patrimônio está em 174%).
» Margem líquida apertada de 6%. A empresa precisa trabalhar para melhorar esta margem, com corte de despesas.
» Crescimento do patrimônio líquido baixo para o setor. De 2001 para 2008 o PL subiu apenas 42%, de 140 milhões para 200 milhões. Com este novo plano de investimento a empresa deve acelerar este crescimento nos próximos anos.

