12 dicas de como economizar no Imposto de Renda

A maioria das pessoas tem toda renda baseada em “dinheiro 50%”. O investidor Robert Kiyosaki, autor de vários livros da série “Pai Rico”, costuma chamar o trabalho assalariado desta forma, pois metade do dinheiro acaba indo para o governo.
Muita gente desconhece, mas existem investimentos totalmente isentos de IR (“dinheiro 0%”). Também existem muitas formas legais de economizar impostos, conforme veremos abaixo.
1) Isenção total de IR nas vendas de ações (até 20 mil/mês):
É isento de imposto de renda o lucro na venda de ações, caso o valor das vendas sejam iguais ou inferiores a R$ 20 mil no mês. Para quem deseja realizar lucros com vendas de valores superiores, é interessante dividir as vendas de forma a somar no máximo R$ 20 mil em cada mês.
2) Isenção total de IR nos Fundos Imobiliários:
Os fundos imobiliários são isentos de imposto de renda. Este é um grande atrativo dos fundos imobiliários, que estão se tornando cada vez mais populares. Tenho receio que depois de cair no gosto da população, essa categoria de investimento passe a ser tributada (Lei 9.779/99).
3) Isenção total de IR na venda de imóveis:
- Isenção total para vendas de imóveis residenciais até R$ 440 mil reais, caso seja o único imóvel do proprietário e não tenha realizado compra ou venda imobiliária nos últimos 5 anos;
- Isenção total caso o dinheiro recebido pela venda do imóvel seja utilizado na compra de outro mais caro em até 180 dias. Esta é uma forma inteligente de comprar imóveis cada vez maiores, economizando IR.Veja mais detalhes.
4) Isenção parcial de IR na venda de imóveis:
Existem algumas formas de pagar menos impostos na venda de imóveis, vou listar algumas:
- Somar a corretagem paga no valor de aquisição do imóvel e subtrair o valor da corretagem no valor de venda do imóvel. Desta forma, o imposto sobre o lucro será muito menor;
- Acrescentar na declaração de ajuste anual as benfeitorias realizadas no imóvel como reformas e ampliações. Para isso, é necessário guardar as notas fiscais. No momento da venda, é como se o valor de aquisição subisse, reduzindo o imposto de renda;
- A partir de 1996 é possível aplicar um “fator de redução” (FR) sobre o lucro, que é proporcional ao número de meses entre a data de aquisição e venda. Essa ajuste pode trazer economias de IR superiores a 30% dependendo do período. Veja um exemplo real.
5) Planejamento no resgates dos investimentos:
Os fundos de investimentos e a previdência privada utilizam a tabela regressiva de imposto de renda. Isso significa que quanto mais você ficar em um investimento, menos imposto pagará.
Ao fazer resgate de algum investimento, veja se não vale à pena esperar mais alguns meses ou anos para reduzir a alíquota. Veja, por exemplo, a tabela de IR para previdência.
|
Tempo de acumulação
|
Alíquota
|
|
0 – 2 anos
|
35%
|
|
2 – 4 anos
|
30%
|
|
4 – 6 anos
|
25%
|
|
6 – 8 anos
|
20%
|
|
8 – 10 anos
|
15%
|
|
Acima de 10 anos
|
10%
|
Um resgate antecipado na previdência pode tributá-lo em 35%, às vezes vale a pena esperar pela próxima queda na alíquota.
6) Redução da base de IR de até 12% com PGBL:
As aplicações em fundos de previdência PGBL podem ser deduzidas da base de cálculo de IR, com um limite de 12% da renda bruta do ano. Quem não utiliza o teto de deduções de 12% poderia investir essa quantia em uma previdência PGBL.
Ex: Se uma pessoa ganha 60 mil reais por ano poderia investir R$ 7.200 (por ano) em um fundo de previdência PGBL e reduzir sua base de cálculo para R$ 52,8 mil.
É importante lembrar que nada impede que uma mesma pessoa possua VGBL e PGBL, sempre utilizando o máximo do benefício do PGBL (12%). Mais detalhe sobre a diferença de tributação de VGBL e PGBL, leia este texto.
7) Dedução da base de IR utilizando pagamento de empregada doméstica:
“Com base na Lei 11.324 de 19/07/2006, todo empregador doméstico que teve, entre dezembro/2007 e dezembro/2008, um(a) empregado(a) doméstico(a) com carteira assinada poderá deduzir na sua Declaração Anual de Ajuste de Imposto de Renda 2009, os 12% (doze por cento) de INSS, referente a parte do empregador, recolhido durante o ano base de 2008, contanto que use o Modelo Completo.” Leia mais em aqui.
8 ) Declaração simplificada vs. completa:
Para as pessoas que tem a liberdade de optar entre declaração simples e completa, o próprio programa de ajuste anual da receita permite a comparação instantânea entre o IR pago em cada modalidade. Basta entrar no item “Comparativo” do menu do programa para verificar qual paga menos imposto.
9) Caderneta de Poupança:
O governo acabou de mudar a lei, mas a isenção de IR continua para investimentos de até R$ 50 mil. Veja os detalhes completos sobre a nova lei aqui.
10) Dividendos de empresas:
Dividendos recebidos de empresas (de capital aberto ou fechado) são isentos de imposto de renda. Na verdade a isenção não é um “benefício”, pois a empresa pagou imposto de renda antes de distribuir os dividendos. De qualquer forma, é um benefício utilizado por muitas pessoas que utilizam carteira de ações como aposentadoria.
11) Doações aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (até 6%):
“Se mesmo após aplicar todas as deduções possíveis, como dependentes, despesas médicas e com educação, o contribuinte ainda tiver imposto a pagar, poderá destinar até 6% desse valor a uma das entidades associadas ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fumcad)”. [Retirado do texto do Portal Exame. Leia mais aqui].
12) Segredo dos ricos: Abrindo uma empresa para minimizar IR:
Diversos livros sobre finanças e investimentos destacam que pessoas ricas pagam menos impostos abrindo empresa para gerenciarem seus investimentos. A justificativa é simples:
- As pessoas recebem o salário, pagam Imposto de Renda sobre o total do salário e gastam o que sobra.
- As empresas recebem a receita, pagam suas despesas e calculam IR sobre o que sobrou (isso quando sobra algo).
Note que uma pessoa que gasta mais do que ganha precisa pagar Imposto de Renda, enquanto que uma empresa que tem prejuízo não paga (e ainda pode abater o prejuízo em lucros futuros).
Além disso, existe muita flexibilidade quanto à forma de tributação de uma empresa. Um planejamento tributário pode fazer a empresa economizar muito. Não vou entrar em detalhes agora, mas a empresa também pode escolher a forma de tributação que mais economiza imposto (Optando pelo Simples, Lucro Presumido, Lucro Real ou Lucro Arbitrado).
Por este motivo, pessoas ricas abrem empresas para gerenciar seus investimentos. Mas lembre-se que a economia com imposto deve ser superior aos gastos fixos de abertura de empresa e contabilidade.
Conclusão
Acredito que todo investimento pode ter o retorno maximizado se levarmos em consideração o imposto de renda, os gastos de corrategam e as taxas de administração. Para quem ainda não leu, também escrevi como maximizar retorno sobre investimento em renda fixa pagando menos taxa de administração.
Este post pode ser útil para amigos e familiares, compartilhe! Também seria interessante receber comentários sobre outras formas legais de economizar imposto de renda.



Beto Veiga em 22 de setembro de 2009 #
Olá, Bruno,
Do ponto de vista das finanças pessoais, este é uma das postagens mais interessantes que já vi.
Parabens!
Abraço do Beto
Crush via Infomoney em 22 de setembro de 2009 #
Outra dica, para quem tem um grupo de amigos ou família com perfil de investimento semelhante, é abrir um Clube de Investimentos.
Os Clubes são isentos de IR em operações em renda variável. Até mesmo JCP pagos pelas empresas são pagos integralmente.
Os investidores pagam uma alíquota fixa de 15% de IR sobre o lucro somente ao sacar grana do Clube.
Na prática, isso significa um diferimento do imposto a ser pago. Como o dinheiro a ser pago para IR fica disponível para reinvestimento dentro do clube, no longo prazo a diferença pode ser significativa, devido ao efeito cumulativo dos rendimentos sobre o imposto diferido.
Bruno Yoshimura em 22 de setembro de 2009 #
Beto, agradeço pelo apoio!
Crush, excelente ponto de vista. Para ser bem claro, acho que esse é um grande benefício para o longo prazo mesmo.
E não é um benefício para o curto prazo, já que os dividendos isentos de imposto acumulado no patrimônio também entram no bolo para o cálculo do IR no saque. Investidores de clubes apressadinhos saem perdendo e investidores de clubes de longo prazo saem ganhando,
Abraços
Beto Veiga em 22 de setembro de 2009 #
Bruno, os investidores de longo prazo saem ganhando apenas se sacarem integralmente o dinheiro. Se o saque for dentro do montante de R$ 20 mil há perda, uma vez que a venda direta de ações é isenta, conforme você bem destacou no seu artigo.
Abraço do Beto
Marcos V Goulart em 23 de setembro de 2009 #
Olá leitores do Investidor Jovem,
Aqui vai uma dica, o PGBL só fica bom depois de 10 anos de depósitos que não sejam contínuos, pois se for em apenas 2 anos 35% do seu capital aportado fica para o GOVERNO. Lembrando que eles não tributam apenas no lucro e sim no patrimonio total. Outro problema é que não é possível insenção de imposto como no caso de doenças ou invalidez.
Grato.
Att,
Marcos V Goulart – Investidor de longo prazo.
Bruno Yoshimura em 23 de setembro de 2009 #
Excelente ponto Marcos,
Inclusive este mês estava pensando em migrar um PGBL antigo que e acabei descobrindo que o que ia sobrar era menos do que eu investi.
Vou tratar esse assunto em um post específico sobre VGBL vs PGBL, pois imagino que PGBL não deveria ser usado além dos 12% de renda bruta ao ano.
Abraços
Rafael Coêlho em 23 de setembro de 2009 #
Bruno,
É impressionante a qualidade dos conteúdos postados aqui no seu blog. Tenho acompanhando há bastante tempo. Parabéns!
Sou investidor com perfil de valuation, com 24 anos de vida. Ultimamente estou 100% comprado em ações, mais especificamente small caps. Aproveitei a promoção da Bovespa no início do ano e fiz a festa!
Ando lendo bastante sobre o mercado de imóveis. Será meu próximo tipo de diversificação de investimento. Um livro MUITO bom nesse mercado é “Imóveis: Como investir e ganhar muito dinheiro”, que faz parte da coleção Pai Rico, Pai Pobre, do Robert Kiyosaki. Investidor que está aprendendo as artemanhas desse mercado deve ler. O livro aborda muito bem e didaticamente como evitar perdas com o IR em ganho de capital com bens imóveis e como utilizar o poder de PJ para investir nesse tipo de bem.
Fica a sugestão.
Abraços!
Bruno Yoshimura em 24 de setembro de 2009 #
Olá Rafael,
Agradeço muito pelo feedback! Gosto de trocar experiências em ações também, minha carteira é em boa parte formata por smalls. Também fiz a festa na crise, e você deve ter feito uma boa grana!
Antes de escrever o post sobre imóveis li alguns livros, inclusive este do Pai Rico. Muito bom mesmo, especialmente a visão baseada em fluxo de caixa.
Fiz algumas simulações de qual seria a melhor maneira de investir em imóveis no Brasil, ainda é necessária uma taxa de aluguel acima de 0,9% que é difícil em residencial (talvez em baixo padrão ou altíssimo padrão). O problema do comercial é que o financiamento é mais caro e menos alavancado (menos anos),
Obrigado,
Bruno
pablo em 24 de setembro de 2009 #
bom dia!!! bruno…estou entrando no meio do kartismo….é um esporte com um certo custo elevado, gostaria de buscar patrocinio com empresas, mas como faria a dedução fiscal com elas, qual seria os valores a passar,e a ser repassados. ok agurado breve retorno.
Rafael Moreira Savelli em 25 de setembro de 2009 #
Eu já vinha procurando informações sobre isso há séculos! Muito boa essa síntese!
Muitíssimo obrigado!
Rafael
Rafael Coêlho em 28 de setembro de 2009 #
Bruno,
Mandei-te um e-mail resposta ao feedback. Não se se teve a oportunidade de ler.
Tou no aguardo de um retorno.
Abraços,
Rafael Coêlho
Jorge Braga em 4 de novembro de 2009 #
Grande Bruno;
estas orientações eu achei na hora certa, pois vendi recentemente um imóvel em Cabo Frio por 60000, e tinha comprado por 28000,00.
Bruno me tire por favor uma dúvida, o corretor me cobrou 3600,00 por esta corretagem; ele é obrigado a me fornecer um recibo? Só assim eu poço declarar certo??
Sem mais desde já agradeço parabenizando pelo SITE.
JBraga
Alexandre Souza em 11 de novembro de 2009 #
Olá, Bruno.
Não entendi bem o post de 23 de set do Marcos V. Goulart.
“Aqui vai uma dica, o PGBL só fica bom depois de 10 anos de depósitos que não sejam contínuos, pois se for em apenas 2 anos 35% do seu capital aportado fica para o GOVERNO.”
Porque ele fala em depósitos que “não sejam contínuos”? E se forem?
Um abraço e obrigado.
Bruno Yoshimura em 11 de novembro de 2009 #
Olá Alexandre,
Porque na realidade a alíquota do imposto de renda é de acordo com o período que o investimento que você deixou lá. Se você aportou mensalmente nos últimos 10 anos, o seu último aporte (mês passado) tem apenas um mês de idade, e não 10 anos.
Abraços
Sérgio em 17 de novembro de 2009 #
Olá Bruno, tudo bem.
Gostaria de entender melhor sobre a incidência do I.R. nas transações com ações.
A incidência ocorre somente sobre o lucro e não ao valor da transação?
Gosto muito do site, acompanho na medida do possível e gostaria de ter este esclarecimento.
Um abraço.
Felipe em 31 de dezembro de 2009 #
Por essa e por outras o Brasil é do jeito que é, todo mundo querendo achar um jeito de pagar menos imposto nas brechas da lei…
Victor Reis em 6 de janeiro de 2010 #
Felipe, não são “brechas da lei” que permitem que se pague menos impostos num país que tanto arrecada e mal retorna aos contribuintes, e sim isenções previstas em lei que não são concedidas por caridade, mas para tornar a relação entre os sujeitos tributários mais justa.
Pena não serem tão bem divulgadas tais isenções, mas cabe a nós contribuintes, divulgarmos e procurarmos informação.
Não é por isso que o Brasil é “do jeito que é”(você deve saber dos reais motivos), pois tais isenções existem na maioria dos países e não acredito que você ache certo pagar a mais imposto e nem o faça. É como ganhar um desconto num tênis e fazer questão de pagar o preço cheio, ou seja, não faz o menor sentido.
Mauro em 18 de janeiro de 2010 #
Quanto mais tento me informar mais fico indeciso. Tenho cerca de 10.000 para aplicar em TD mas tenho dúvidas quanto a rentabilidade futura. Dependendo da aplicação (LFT, NTN ou LTN) posso ter prejuízo em função de queda ou alta da inflação, é correto? É melhor deixar na velha poupança mesmo? Ou seja o TD é de risco? Não tem como ganhar da inflação pelo menos?
Fernando em 19 de janeiro de 2010 #
Bruno, para béns pelo artigo, é excelente e muito esclarecedor. Certamente vou usar esses conceitos em meus investimentos futuros.
Agora, cá entre nós, tire esse post da Fernanda Lehman dos comentários… Isso aí é o velho Esquema da Pirâmide e mancha a qualidade dos outros comentários.
Um abraço e Feliz 2010!
Luis Oliveira em 9 de março de 2010 #
Olá Bruno,
Muito bom o seu blog e este post em particular. So tenho alguns comentarios:
a) a deducao do PGBL é so sobre a base de calculo. É bom deixar claro, pois os 60 mil que a pessoa ganha no exemplo podem ja sofrer outras deducoes (como INSS) e aí ele nao vai deduzir 7,2 mil. Há uma parcela que nao entra na base de calculo do tributo.
b) a poupança nao vai ser tributada em 2010. Nao houve lei neste sentido. O governo desistiu da ideia em outubro de 2009. Se vier, vai ser em 2011, mas acho dificil.
Forte abraço e vou colocar um link do seu blog no meu, que tb trata de finanças pessoais (inclusive coloquei algumas de suas dicas, com acrescimos e alteracoes, por la). Confira: http://blogdopirangueiro.zip.net
Darlylson Andrade em 11 de abril de 2010 #
Para o investidor de longo prazo, uma maneira de reduzir o I.R. sobre o lucro líquido obtido após a venda de ações é fazer o preço médio das ações subir:
a). Vende-se a quantidade de ações tendo o cuidado do valor da venda não ultrapassar R$20.000 no mês e as recompra no dia seguinte ou no mesmo dia (até mesmo imediatamente após a venda).
b). Fazendo este procedimento sistemáticamente mês a mês, o preço médio das ações será elevado, com isto, após alguns anos de investimento, se houver a necessidade de realizar uma venda cujo valor seja superior a R$20.000, o pagamento do imposto será muito menor comparando-se ao valor que seria pago se nada fosse feito.