Empresas para investir no “boom” do setor de automóveis
Junto com a construção civil, as empresas relacionadas ao setor imobiliário impulsionaram o crescimento do PIB Industrial, que foi o principal destaque do primeiro trimestre de 2008.
Entre 2004 e 2007, a compra do primeiro carro 0 km cresceu 284%. Já neste ano, as vendas acumuladas até maio tiveram um crescimento de mais de 30% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Por esta razão, resolvi selecionar as principais empresas com capital aberto que são beneficiadas por este “boom” no setor. Não são apenas as montadoras que aumentam seus lucros. Existem também as seguradoras de veículos, fabricantes de peças de manutenção, sucroalcooleiras e concessionárias de rodovias.
Entre os fatores que contribuiram para o aquecimento do setor automobilistico estão:
» o alongamento do prazo de financiamento pelos bancos em até oito anos;
» crescimento da classe média (migração da classes “D” e “E” para C)
» redução da taxa de juros básica de 20% (2005) para menos de 12% (veja gráfico);

De olho no futuro:
» 85% dos carros produzidos serão Flex até 2010 (maior consumo de álcool);
» Carros chinêses começam a sers vendido no Brasil em 2008, com preço de popular
» financiamento longo pode causar inadimplência e desistência (aumento da venda de usados recém-comprados);
» continuidade dos investimentos no setor (com investment grade);
Das empresas listadas abaixo, recomendo estudo da Metal Leve, Fras-Le, Mangels, Plascar, São Martinho. Empresas que requerem grande cuidado e estudo: CCR, Cosan e seguradoras.
Petrobrás e Usiminas são excelentes empresas que fazem parte da carteira de muitos investidores fundamentalistas. Apenas recomendo cautela para compra nesse período eufórico. Muitas pessoas cometem o erro de concentrar as todas as compras em um intervalo muito curto de tempo, correndo o risco de pegar uma época de alta.
| Empresa |
Setor*
|
Valor*
|
P/L
|
P/VPA
|
Δ PL 5a
|
Δ Rec. 5a
|
Liq.*
|
Div*
|
Relatórios
|
|
Metal Leve
Pistões, Válulas |
100%
|
1,2
|
9,8
|
2,23
|
10%
|
6,40%
|
1,3
|
0,76
|
|
|
Fras-le
Lonas de carros e caminhões |
100%
|
0,4
|
9,7
|
1,93
|
150%
|
8%
|
2,23
|
0,68
|
|
|
Mangels
Rodas de Liga Leve e Aços |
31%
|
0,3
|
7,4
|
1,34
|
50%
|
11,80%
|
2,13
|
1,76
|
|
|
Plascar
Pára-choques, painéis, portas |
100%
|
0,8
|
16,6
|
3,03
|
27,20%
|
1,05
|
0,47
|
||
|
Sul América
Seguradora |
27%
|
3
|
8,7
|
1,5
|
1,43
|
0,13
|
|||
|
Porto Seguro
Seguradora |
39%
|
4,4
|
12,1
|
2,39
|
200%
|
-46%
|
1,38
|
||
|
CCR
Rodovia e pedágios |
100%
|
13
|
22,0
|
8,4
|
190%
|
18,80%
|
1,16
|
1,25
|
|
|
Petrobrás
Energia – Petróleo, Gás |
416
|
17,1
|
3,45
|
185%
|
17,60%
|
1,31
|
0,35
|
||
|
Cosan
Álcool/Cana |
33%
|
57,07
|
2,1
|
2,09
|
-29,80%
|
6,22
|
0,7
|
||
|
São Martinho
Álcool/Cana |
44%
|
2,6
|
1,61
|
2,03
|
0,29
|
||||
|
Usiminas
Aço, Placas, Auto Peças |
21%
|
43,6
|
13,7
|
3,33
|
300%
|
9,10%
|
2,17
|
0,3
|
|
| 1) Setor: Porcentagem da receita relacionada com setor automotivo 2) Valor: Valor de mercado em bilhão (número de ações x preço por ação) 3) Liq: Liquidez Corrente (Ativo Circulante / Passivo Circulante) 4) Div: Dívida Bruta / Patrimônio Líquido |
|||||||||
Indicadores positivos:
» Petrobrás, Usiminas e Fras-le pelo crescimento do patrimônio líquido em nos últimos 5 anos;
» Mangels e Sul América pelos múltiplos muito abaixo da média setorial;
» Plascar pelo forte crescimento da receita nos últimos 5 anos;
» São Martinho pelo P/VPA (seu valor do mercado está apenas 61% acima do seu patrimônio líquido);
» Mangels pelo P/VPA (seu valor do mercado está apenas 34% acima do seu patrimônio líquido);
Indicadores negativos:
» Cosan e Porto Seguro pela queda na receita líquida (negativo);
» Plascar, pela baixa liquidez corrente;
» CCR por estar com valor de mercado mais de 8x maior do que seu patrimônio líquido (P/VPA);
» Cosan, pelo P/L baixo (seria positivo, mas precisamos descobrir as causas)



Rodrigo Schlittle em 12 de junho de 2008 #
Olá Bruno, muito boa suas análises gostei muito da matéria “Onde investir após Investment Grade – Small Caps”.
Altamente fundamentada e muito bem elaborada.
Parabéns pela dedicação, otimo trabalho!!
Arthur Andrade Nery em 17 de junho de 2008 #
Ola Bruno e Allan,
Voces mencionam diversos fatores que aumentam o poder de compra da classe media e embasam nisso sua visao para o setor automobilistico…como ficaria o setor de construcao civil?
Em alguns casos nao tivemos dados animadores quanto as acoes de algumas empresas, mas o setor se mostra bem aquecido…sera que ainda nao vimos uma precificacao nas acoes do aquecimento do setor?
Abracos
Arthur
Bruno Yoshimura em 17 de junho de 2008 #
Excelente ponto Arthur.
O movimento de queda de curto-prazo era pela alta da Selic (achei estranho, pois já estava previsto o aumento).
Mas o que eu li ultimamente sobre o setor é que a maioria das empresas captou dinheiro através da emissão de ações na euforia do mercado e acabou gastando o dinheiro em muitos lançamentos e terrenos.
O que aconteceu agora é que não existe uma reserva de capital suficiente para tocar todas as obras em andamento, e para isso, elas precisam de mais dinheiro emprestado.
Acho que isso pode ser considerado uma alavancagem, pois eles acabam vendendo imóveis que ainda não tem verba para serem construidos.
Vou procurar uma reportagem interessante que saiu no Valor Econômico e envio para você depois,
Abraços